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A Estrada é a despedida de Lô Borges em forma de canções


A Estrada é o álbum póstumo de Lô Borges e chega como reflexo de um dos períodos mais férteis de sua trajetória artística. O disco é o oitavo lançado em oito anos, marca que evidencia uma fase de intensa produtividade criativa e reafirma a vitalidade de um compositor que permaneceu ativo, inquieto e profundamente comprometido com a canção até seus últimos trabalhos.


A ideia da estrada funciona como eixo conceitual do álbum. Presente já no título e reiterada nos nomes das faixas — "Pousada", "18 Rodas", "Encruzilhada", "Travessia do Deserto", "Última Parada" e "Chegada", entre outras —, ela surge como metáfora da jornada humana, da experiência acumulada ao longo do caminho e da necessidade permanente de seguir em frente.


Essa concepção ganha força na parceria histórica entre Lô Borges e seu irmão, Márcio Borges, responsável pelas letras de nove das dez composições do álbum. Ao longo de décadas, os irmãos construíram, ao longos dos anos, uma das colaborações mais importantes da música brasileira, e A Estrada reafirma a sintonia artística que sempre caracterizou esse encontro entre palavra e melodia. O disco adquire, assim, um valor especial ao reunir novamente os dois compositores em torno de um projeto que reflete maturidade, experiência e permanência criativa.


Outro aspecto fundamental do álbum, lançado pela Deck, é a presença dos músicos que acompanharam Lô Borges em seus trabalhos mais recentes. Henrique Matheus, Thiago Corrêa e Robinson Matos são parceiros de longa data e desempenham papel decisivo na construção musical do álbum. Mais do que acompanhantes, participam como colaboradores centrais de uma sonoridade que se consolidou ao longo dos últimos anos da carreira do artista.


Henrique Matheus, além das guitarras, foi responsável pela gravação e mixagem do álbum, contribuindo diretamente para a realização estética do projeto. Thiago Corrêa, que assina os contrabaixos e teclados, também divide a produção do disco, reforçando sua condição de parceiro criativo próximo. Robinson Matos, na bateria, integra esse núcleo de músicos que ajudou a dar forma ao som dos trabalhos mais recentes de Lô. A familiaridade entre eles se traduz em uma execução coesa, segura e profundamente conectada ao universo musical do compositor.


A participação de Marcos Suzano acrescenta novas texturas percussivas ao conjunto, enquanto a produção assinada por Lô Borges, Henrique Matheus e Thiago Corrêa evidencia o caráter coletivo da realização do álbum.


É significativo que o álbum se encerre com "Chegada", única composição assinada exclusivamente por Lô Borges e que conta com a participação especial de Tavinho Moura. Figura histórica da música mineira e companheiro de geração, Tavinho surge não como convidado ocasional, mas como presença simbólica em um desfecho que reafirma os laços de amizade, criação e pertencimento que atravessaram toda a trajetória de Lô.


Como obra final, A Estrada reúne elementos que marcaram toda a carreira de Lô Borges: a força das parcerias, a valorização dos músicos que caminharam ao seu lado, a permanência dos laços criativos e a convicção de que a música é, acima de tudo, uma forma de seguir adiante. O álbum encerra um ciclo notavelmente produtivo e deixa como legado uma última coleção de canções construída com amigos, colaboradores e companheiros de jornada que seguirá reverberando para todo e sempre.

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