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Ana Frango Elétrico amadurece a olho nu em cima dos palcos

Amadurecer.

Verbo transitivo direto e intransitivo e pronominal

tornar(-se) maduro; sazonar(-se), amadurar(-se).

"o sol amadurece os frutos"


A carioca Ana Frango Elétrico surgiu na cena brasileira com o álbum “Little Electric Chicken Heart”, em 2019, e chamou a atenção por fazer uma mistura irresistível de pop com umas pitadas mpbzísticas, mostrando que talento, sintonia com seu tempo e verdade nas palavras ditas são, e sempre foram, o segredo do sucesso de qualquer artista.


Em seu terceiro disco, “Me Chama de Gato Que Sou Sua”, lançado este ano, vemos uma artista madura, que sabe em que estradas musicais está acelerando, levando seu som para um caminho ainda mais dançante, mas que principalmente entende seu público, seus anseios, e como se comunicar com ele. Em seu show na Autêntica, em Belo Horizonte, Ana impressionou exatamente por todos estes motivos e surpreendeu muitos que a tinham como uma artista em um patamar um pouco menor. Ana Frango Elétrico está pronta para alçar vôos ainda mais altos.



Fotos: Bárbara Moreira

Com um repertório que privilegiou seu trabalho mais recente, o show foi uma grande celebração deste momento da artista e contou com uma cumplicidade poucas vezes vista em um palco belorizontino. Não são muitos os artistas que podem se vangloriar de ter um riff de guitarra ou uma linha de baixo cantados pelo público. Foi assim, por exemplo, em “Electric Fish”, a música que abre “Me Chama…” e que encerrou a primeira parte de seu show - um convite para se jogar nos passos de qualquer dança, ainda que descompassada. O único problema deste momento foi que não havia um globo de espelhos no teto da Autêntica, para que o clima de boate anos 1980 fosse emulado com perfeição.


As canções que ela pinça de seus dois primeiros discos se misturam no setlist de uma forma homogênea e conseguem o mesmo nível de resposta do público. Hits como “Chocolate” e “Se No Cinema”, posicionados estrategicamente no meio do show, são a prova que Ana, apesar de ter atingido a maturidade artística apenas neste ano, já tinha um talento gigantesco em 2019. Só não via quem não queria.



O encerramento do show, com “Dr. Sabe Tudo” - música de Rubinho Jacobina, gravada por ele em 2005 no disco “Rubinho e a Força Bruta” - é um convite à celebração eterna da vida e da arte. Ver uma artista no auge de sua criatividade é sempre um prazer ímpar. Auge da popularidade também? Talvez Ana Frango Elétrico ainda esteja longe disso. Acompanhemos.




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