Balla, Budang e Last Warning protagonizam noite hardcore no Monkey Studio em BH
- Bruno Lisboa
- 29 de jun.
- 2 min de leitura

A Chama Independente segue reafirmando seu papel como uma das produtoras mais importantes da cena alternativa de Belo Horizonte. Fugindo do óbvio e apostando na valorização da música autoral, a produtora tem revitalizado o circuito independente da capital mineira com eventos cuidadosamente organizados e line-ups que equilibram nomes consolidados e apostas promissoras. A mais recente edição do Heavy Chama foi mais uma prova desse acerto.
Realizado no Monkey Studio, no bairro Santo Inês, o evento mostrou que grandes experiências não dependem de grandes estruturas. Com capacidade para cerca de 60 pessoas, o espaço proporcionou uma atmosfera intimista e calorosa, exatamente como um bom show de hardcore pede. A proximidade entre bandas e público tornou cada apresentação ainda mais intensa e, apesar do espaço reduzido, não faltaram rodas de mosh durante toda a noite. Outro ponto alto foi a qualidade do som, impecável do início ao fim.
Infelizmente, não consegui assistir à apresentação da Balla, representante da cena belo-horizontina. Ainda assim, o restante da programação manteve o alto nível.
Em sua primeira apresentação em Belo Horizonte, a catarinense Budang mostrou que vive uma nova fase. Após a saída de Guilherme Guths, a banda ganhou um novo vocalista sem perder a identidade construída em Magia, disco que conquistou público e crítica. No palco, o grupo reafirmou uma sonoridade que preserva a crueza e a espontaneidade dos primórdios do hardcore, mas dialoga com referências que extrapolam o gênero. A divertida versão de "1406", dos Mamonas Assassinas, sintetiza essa proposta, evidenciando uma banda criativa, irreverente e sem receio de ampliar seus horizontes musicais.

Já a Last Warning mostrou, mais uma vez, por que segue entre os principais nomes do hardcore belo-horizontino. Tive a oportunidade de assistir à banda diversas vezes e a impressão permanece a mesma: trata-se de um grupo que entrega apresentações explosivas, pautadas pelo peso, pela agressividade e por uma presença de palco contagiante. O repertório equilibrou músicas já conhecidas do público com composições mais recentes em português, evidenciando a evolução da banda sem abrir mão da identidade construída ao longo dos anos.
Mais do que uma sequência de shows, o Heavy Chama reafirma a importância de iniciativas independentes comprometidas com o fortalecimento da música autoral. Em tempos de tantos desafios para o circuito underground, a Chama Independente demonstra que curadoria, dedicação e paixão seguem sendo os principais combustíveis para manter Belo Horizonte entre os polos mais vibrantes da música pesada brasileira.






































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