Black Feather Fuzz inicia nova fase com o lançamento do EP Fuzzy Catharsis

De Belo Horizonte para uma nova etapa de sua trajetória, o Black Feather Fuzz chega ao EP recém-lançado Fuzzy Catharsis depois de atravessar uma transformação que envolveu tanto a formação quanto a própria identidade da banda.
Antes conhecida como Black Feather Klan, a banda passou a adotar o nome Black Feather Fuzz após a entrada de Thiago Fernandes na bateria e Pedro Barros na guitarra, mudanças que trouxeram novas influências e caminhos para as composições sem romper com a essência do grupo.
O novo EP reúne cinco faixas marcadas pelo stoner/doom, pelos riffs pesados, pela psicodelia e, sobretudo, pelo fuzz, traduzindo em som uma busca que a própria banda resume em uma palavra: “LIBERDADE”.
Produzido, gravado e mixado por Manfredo Savassi, Fuzzy Catharsis também aposta em uma sonoridade orgânica e analógica, enquanto sua identidade visual reforça a opção pelo artesanal.
Na entrevista, a banda fala sobre a metamorfose provocada pela nova formação, a mudança de nome, o processo coletivo de composição, a relação com a cena pesada de Belo Horizonte e a mineiridade que atravessa sua música — “de Sarcófago a Clube da Esquina, do queijo a cachaça, do boteco ao palco”.
Ao olhar para o futuro, a banda define o momento atual como um renascimento: “Uma Phoenix de pena preta”, pronta para levar seu “fuzz arrastado e lodoso” para novos públicos, outros estados e, quem sabe, “o universo”.
Fuzzy Catharsis marca uma nova fase do Black Feather Fuzz. Como nasceu o repertório desse EP e em que momento vocês perceberam que essas músicas representavam uma nova etapa para a banda?
A banda já vinha se preparando para lançar novas músicas, mas houve uma mudança de formação: saíram o Henrique Lima (bateria) e o Tiago Bizzoto (guitarra), cada um por seus motivos pessoais. Entraram o Thiago Fernandes (bateria) e o Pedro Barros (guitarra) para os novos shows. Com isso novas influências, ideias e estilos foram incorporados. Foi algo fluido e a gente foi percebendo nas composições essa mudança de identidade, mas ao
mesmo tempo mantendo a raiz do BFZ.
A banda anteriormente se chamava Black Feather Klan e agora passa a se apresentar como Black Feather Fuzz. O que motivou essa mudança de nome? Existe uma mudança de identidade ou de perspectiva por trás dela, ou vocês enxergam o novo nome como uma continuidade da história da banda?
A mudança veio em um momento oportuno. As músicas já haviam sofrido uma metamorfose com a nova formação – algo original surgia, exigia uma nova identidade que fosse mais ligada à nação fuzzada, arrastada e lodosa. O alerta dado pelo selo da Bruxa Verde, sobre o risco da palavra “klan” em outros países, só ajudou a banda a assumir uma mudança inevitável. Acreditamos que é a essência continua a mesma, mas está mais madura e leve.
A fuzz não é apenas uma sonoridade que representa o nosso estilo, é algo que une toda uma horda fuzzfanática.
O título Fuzzy Catharsis sugere uma espécie de liberação através do peso, da distorção e do fuzz. O que esse conceito representa para vocês e como ele se relaciona com as cinco faixas do EP?
Acreditamos que uma palavra resume esse conceito: LIBERDADE. As letras são
extremamente densas e são uma síntese da libertação das pressões do mundo em um
contexto de modernidade líquida. Tudo isso, por meio do fuzz entranhado em todas as músicas.
Como foi o processo de composição e construção desse novo repertório? As músicas nasceram principalmente de riffs e ideias individuais ou foram sendo construídas coletivamente nos ensaios?
Foi uma soma dos dois fatores. O Pedro trouxe riffs e bases, o Rubens outros e ideias, o Thiago um groove novo e o Cristiano as letras e melodia. No ensaio juntámos tudo, construímos mais e estruturamos as músicas. Adoramos o resultado!
O EP transita pelo stoner/doom, pelos riffs pesados, pelo fuzz e pela psicodelia. O que vocês buscaram manter da sonoridade do Black Feather Fuzz e o que sentiram necessidade de transformar nessa nova fase?
Acredito que buscamos manter a alma da BFZ como sempre foi: imprevisível. O stoner/doom está completamente presente nas novas composições, o fuzz característico que agora incorpora o nome da banda está com tudo. Temos novas ideias e pensamentos rítmicos e melódicos. Novos caminhos surgirão para seguirmos. Isso significa que algo que tende a nascer naturalmente, com vida própria e sem algo pré-definido, algo “fuzzy” literalmente.
Manfredo Savassi foi responsável pela produção, gravação e mixagem, além de participar da masterização junto com a banda. Como foi esse processo de estúdio e de que maneira ele ajudou a chegar à sonoridade que vocês imaginavam para Fuzzy Catharsis”?
O Manfredo foi fundamental para o formato sonoro do EP. Ele entendeu como poucos o que é o nosso som. A gente dava a matéria prima e ele cuidava do resto. Foi um desafio ter um material o mais analógico possível. Bem orgânico, tudo na válvula e microfonado na boa do alto-falante. Ele é um ser com uma tranquilidade, humor e simpatia ímpares! A gente ficava muito à vontade para fazer adequações e dar ideias que ele sempre acatava com boa vontade. Tivemos muita sorte.
A identidade visual do EP ficou a cargo de Tim Tatoo Blackhorseman e Rogério Castro. Como nasceu o conceito da capa? Vocês chegaram ao processo já com uma ideia visual definida ou a arte foi sendo construída junto com o desenvolvimento das músicas?
O Tim é o tatuador do Grilão um desenhista que faz desenhos muito legais no carvão e no nanquim. Nessa era digital de I.A dominando tudo, tínhamos uma certeza: tem que ser à mão, totalmente orgânico e visceral. Pegamos uma foto nossa do palco e demos a ideia.
A criatividade e o talento do Tim fizeram o resto. Rogério Castro cuidou da nova logo e identidade visual, criando a marca que agora identifica a BFZ. Ele criou o selo, a nova logomarca e fez a capa do EP que conta com a arte do Tim e que estampa a nossa nova
camisa.
Belo Horizonte tem uma história muito forte ligada ao rock pesado, ao metal, à
psicodelia e a diferentes vertentes da música underground. Como vocês enxergam o atual cenário da música pesada na cidade e qual é o espaço do Black Feather Fuzz dentro dessa cena?
Vemos o pessoal falando que BH é um lugar fértil para bandas de som pesado e acho que as bandas fuzzadas só agregam mais valor a isso. Hoje, existem bons espaços para o autoral e uma galera cada vez mais profissionalizada em organizar os rolês. O Showcaldo e o Metalpunk Overkill e a Lodo Produções são uma síntese de que coletivos voltados para o underground e abertos a diferentes estilos e públicos podem fazer. Outra coisa que tem aumentado é a presença de um público mais jovem, renovando a cena. Importante destacar que a BFZ é sempre recebida por todo tipo de público - de 6 a 66 anos. Além de tudo isso, tocamos com todo mundo e não sofremos nenhum preconceito, porque já tocamos com gente de Hard Rock a Black Metal. O respeito é mútuo! Porque no underground, especialmente em MG, temos que ser fortes e só somos fortes juntos.
Existe algo especificamente mineiro ou belorizontino na música do Black Feather
Fuzz? De que maneira a cidade, a cena local e as experiências de vocês em Belo
Horizonte acabam influenciando a composição e a sonoridade da banda?
Claro que existe! A gente, uai?! Transmitimos nossa mineiridade para nosso som. Tudo em Minas nos influencia: de Sarcófago a clube da esquina, do queijo a cachaça, do boteco ao palco. Não tem como fugir.
O Black Feather Fuzz realizou uma campanha bastante ativa no Instagram para divulgar “Fuzzy Catharsis, produzindo diferentes conteúdos e materiais para apresentar o trabalho ao público. Hoje, parece que não basta apenas compor, gravar e lançar música: o artista também precisa entender de comunicação, redes sociais, criação de conteúdo e construção de público. Como vocês enxergam esse novo cenário do mercado da música e a necessidade de a banda atuar nesses diferentes “braços” além da própria criação musical?
Muito trabalho (risos). A comunicação e divulgação ficou mais diversificada, gerando mais esforço e com resultados muitas vezes nichados. Com o crescimento do acesso à tecnologia e a produção gigantesca de informação ter visibilidade se tornou um grande desafio. Daí para que um lançamento tenha longevidade mínima os conjuntos têm obrigatoriamente estar presente e produtivos nas plataformas e redes. Realmente se tornou um novo trabalho essencial para qualquer banda.
O grupo surge agora com um novo nome, um novo EP e uma nova etapa artística. O que vocês esperam construir daqui para frente e que caminhos gostariam de explorar depois de “Fuzzy Catharsis?
Pode-se dizer que renascemos mais fortes. Uma Phoenix de pena preta (isso ficou poético). Agora queremos levar nosso som para outros estados e quiçá o universo, levar o nosso fuzz arrastado e lodoso para cada vez mais pessoas sedentas de coisas novas para ouvir e experiências únicas ao vivo, para guardar na alma.

Parabéns pelo excelente texto! conseguiu sintetizar fielmente o que a banda quer passar para o público leitor! Desejo sucesso sempre!