top of page

Black Flag e Falsa Luz fazem noite histórica em Belo Horizonte

Historicamente, BH tem uma relação intrínseca com o som pesado. Isso pode ser comprovado desde os anos 80, período em que diversas bandas da cena punk/hardcore/metal e adjacências movimentavam a cidade.


Com uma intensa produção local, a cena continua mais viva do que nunca. Bandas como Montese, Elízia, Pesta, Dops, Meggera, Distúrbio Sub-Humano são apenas alguns exemplos de artistas locais que fazem com que a música pesada, seja ela qual for, continue em evidência.


Fotos: Alexandre Biciati

Tais fatos são catalisadores para que, regularmente, produtores busquem trazer bandas internacionais para tocar em Belo Horizonte, alimentando assim um circuito de shows que tem crescido de maneira exponencial nos últimos anos.


Em parceria entre a Quente e a Autêntica, BH teve a rara oportunidade de ver, de perto, um das bandas mais essenciais do rock: o Black Flag. A noite ainda contou com discotecagem da DJ Dani-se e a apresentação da Falsa Luz, banda expoente da nova geração do metal mineira.



Forever Time


Fundada em 1976 em Hermosa Beach, Califórnia (EUA), o grupo (liderado pelo guitarrista Greg Ginn) é, até hoje, um dos principais expoentes do punk mundial, com diversos discos icônicos que ajudaram a (re)definir o gênero.


A trajetória do Flag tem áurea lendária e, por isso, está largamente documentada em diversos livros que buscam desmistificar o modus operandi da banda que colocou o formato do it yourself (faça você mesmo) em evidência.



Greg Ginn, guitarrista e fundador do grupo, é o único membro remanescente, mas isso não é um impedimento para que o Flag faça uma apresentação enérgica e ensurdecedora, digna dos tempos áureos da banda. Prova disso, é a presença de Mike Vallely como frontman. O skatista profissional cumpre, com louvor, a árdua tarefa de assumir o posto que já foi de figuras icônicas da cena hardcore, como Keith Morris e Henry Rollins, com vocais precisos e presença de palco. Atualmente, o grupo ainda conta com as presenças de Charles Wiley (bateria) e Harley Duggan (baixo).


Reunindo bom (e devoto) público, a apresentação da banda norte-americana foi dividida em dois sets, nos quais se pode vislumbrar toda a potência sonora do grupo, que é referência para diversos subgêneros da música pesada de ontem e de hoje.



A primeiro parte foi dedicada ao disco My War, que celebra 40 anos em 2024, e foi responsável por trazer ao mundo hinos como a faixa título, "Can't Decide" e "Forever Time" que ganharam ainda mais força ao vivo, graças a participação efetiva do público.


Após breve intervalo, o segundo tomo foi composto por canções representativas, presentes em outros trabalhos do grupo como o não menos clássico álbum Damaged ("TV Party", "Rise Above", "Depression", "Room 13", "Six Pack" e "Gimmie Gimmie Gimmie") e do EP Nervous Breakdown, que foi tocado na íntegra.



No final uma longa versão para "Louie Louie", cover de Richard Berry, colocou ponto final numa apresentação histórica e memorável para o público belo-horizontino.


O último acorde ainda ressoava quando Greg Ginn desceu do palco e foi de encontro ao público. Solícito como poucos, o guitarrista fez questão de circular entre os presentes para tirar fotos e conversar com quem o quisesse.




Sangue, fogo e morte


Devido a problemas técnicos, a banda belo-horizontina Falsa Luz, que ficaria encarregada pela abertura, foi responsável pelo encerramento da noite antológica. E o fizeram com destreza.


Criada em 2020, a Falsa Luz é comandada pelo experiente Daniel Debarry (que já integrou bandas como Transmissor e Oceania). Musicalmente, a banda tem como proposta sonora a junção de elementos do black metal e do punk, que se materializam em canções vigorosas, cruas e diretas.



Fugindo da maré mercadológica na era dos streamings, seus trabalhos só são encontrados em formato físico ou em plataformas como o Bandcamp - espaço que oferece uma relação mais honesta, em termos de remuneração, para com músicos.


Depois do Vozes Penadas (2020), Acaba-Mundo (2022) e Obscurecido pelo Fim (2022), o lançamento mais recente do grupo é Breu Eterno (2023), trabalho que foi gravado e mixado ao vivo no Estúdio Ilha do Corvo por Leonardo Marques. O mesmo, inclusive, foi o carro chefe da curta e poderosa apresentação na Autêntica.



Adotando uma iluminação de palco chiaroscura, tal escolha (nada convencional) é totalmente condizente a proposta sonora do grupo que aposta numa sonoridade associada ao metal e suas adjacências.


Em pouco mais de meia hora, o grupo mostrou a que veio e trouxe canções como "Fel Terrível", "Sangue, Fogo e Morte" e "Não Me Importo", músicas ppungentes e enérgicas que mostram que o grupo merece maior atenção do público que aprecia som pesado feito com maturidade.




Conclusão


Trazer o Black Flag para A Autêntica foi um golaço da Quente, pois abre precedentes para que outras bandas da cena punk/ hardcore venham para a capital mineira que carece de shows internacionais do gênero.


A escolha pelo Falsa Luz como atração da noite foi outro acerto. A banda já é, num curto espaço de tempo, uma das melhores da ala nacional e tem conquistado, de forma gradativa, público e crítica pelo país.



Avaliação Final

O show da Black Flag ficará marcado para sempre na memória de quem teve a oportunidade de ver a banda em Belo Horizonte. Depois de idas e vindas no agendamente, felizmente, deu tudo certo e a banda entregou tudo em cima do palco. A única ressalva fica por conta do atraso na abertura da casa em uma noite chuvosa e a inversão da programação, em cima da hora, que pegou a todos de surpresa.



172 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page