Black Pantera expande seu próprio universo em novo disco
- Bruno Lisboa
- há 19 horas
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Continental é, até aqui, o melhor disco do Black Pantera. E as razões para essa afirmação são muitas. A primeira delas está na consistência do repertório. O grupo mantém a potência que construiu sua identidade — próxima do metal, do hardcore e de outras vertentes do rock pesado —, mas agora apresenta essas referências com um grau de elaboração maior. Não se trata de abandonar o modus operandi que marcou a banda, mas de expandi-lo. As canções aparecem mais estruturadas, revelando um amadurecimento musical evidente e uma banda cada vez mais segura de suas possibilidades.
Esse amadurecimento também se manifesta nas letras. Se o discurso antirracista e a ancestralidade continuam sendo pilares fundamentais, Continental amplia consideravelmente o campo de observação do Black Pantera. As dores do mundo passam a ser examinadas por diferentes perspectivas: política, geográfica, social e histórica. Há uma dimensão anti-imperialista que atravessa o trabalho e encontra na faixa-título uma de suas expressões mais claras.
As participações especiais reforçam essa amplitude. Duquesa e Sandra Sá aproximam gerações e universos distintos da música brasileira, enquanto Derrick Green, do Sepultura, estabelece uma conexão natural com a tradição do metal. Chico César, por sua vez, protagoniza um dos momentos mais surpreendentes do álbum em “Banzo”, justamente a faixa em que o Black Pantera mais se distancia de sua sonoridade habitual. E é aí que reside uma de suas maiores qualidades: a banda experimenta outros terrenos sem perder a identidade.
Continental é, portanto, um disco de expansão. O Black Pantera não precisa mais provar o que é. Pode partir de sua própria identidade para investigar novos caminhos, ampliar seu discurso e experimentar novas formas. O resultado é um trabalho mais complexo, mais diverso e, sobretudo, mais maduro — um passo adiante de uma banda que parece ter entendido que crescer não significa abandonar suas raízes, mas descobrir até onde elas podem levá-la.
Ouça: Continental, Serotonina, Hórus, Quando Canto, Start The Game, Obsoleto, W.P.P., Banzo, Yasuke, Punhos Cerrados.
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