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Chico Amaral fala sobre seu mais novo disco e a sua relação com o jazz


Fotos: Pedro David


Chico Amaral é conhecido como coautor e arranjador de alguns dos maiores sucessos do Skank ("Vou deixar", "Pacato Cidadão", "Garota Nacional"...) e tem parcerias musicais com Lô Borges, Ed Motta, Milton Nascimento, Beto Guedes, Erasmo Carlos, entre outros . Porém, o compositor, saxofonista e multi-instrumentista tem um longeva carreira dedicada ao jazz e a música instrumental.


Seu disco mais recente é “Canções Brasileiras”, trabalho no qual Amaral demonstra sua verve como intérprete. Inspirado em iniciativas como o álbum Ballads (1961), de John Coltrane, Canções Brasileiras é composto por versões instrumentais que prestam justas homenagens para compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Edu Lobo.


Gravado em apenas dois dias, o disco é um registro intimista e fluído. No álbum, Amaral é acompanhado pelo pianista Christiano Caldas, o baixista Enéias Xavier e o baterista Lincoln Cheib. Os dois últimos, inclusive, são companheiros de longa data de Chico, numa parceria que foi iniciada desde o elogiado disco, Singular (2007).


Em entrevista Chico Amaral fala sobre suas origens e influências musicais, a parceria com o Skank, a seleção do repertório do novo disco, o processo de gravação em estúdio e planos futuros.

Phono: Chico, geralmente, de imediato, gosto de começar as entrevistas abordando as origens musicais de cada artista. Nesse sentido, como se deu a sua relação com esse universo? E em que momento a chave virou e você percebeu que a mesma seria para toda a vida?


A minha família é muito musical. Minha mãe cantava muito bem, era muito afinada, sabia solfejar, gostava das grandes cantoras, como Ângela Maria, aprendia as canções. Conhecia  também canções americanas e  fados. Meus irmãos, mais  velhos do que eu, compravam muitos discos, todos incríveis, de MPB, música clássica, rock,  discos experimentais, como Smetak, Hermeto, Frank Zappa, a gente pôde ouvir de tudo.


Curiosamente, o jazz não era muito ouvido, a não ser alguma coisa de Billie Holiday com Lester Young ao saxofone. Um dos meus irmãos tinha também um disco incrível do Nat King Cole trio. Outra coisa importante era a presença dos livros, com muitas conversas à mesa sobre escritores, poetas e suas obras. A música e os livros me tornariam, mais tarde,  cancionista. Aprendi a tocar violão com uns quinze ou dezesseis anos. Depois disso, entrei na universidade para fazer o curso de Psicologia. No 8° semestre, ao perceber que preferia ensaiar (estava tocando com amigos num grupo de choro) do que comparecer às provas, tomei a decisão correta. Saí da psicologia e escolhi a música. Cursei a universidade da noite, tocando em todos os bares, até surgir o Skank.


Phono: Seu nome é naturalmente associado as inúmeras composições de sucesso, de sua autoria, em parceria com o Skank. Porém, os mais aficionados pelo seu trabalho sabem que, não é de hoje, que você tem uma longa trajetória em formato solo com quatro discos lançados entre outros projetos. Quais são as principais diferenças entre se trabalhar nos dois formatos?


Skank é a canção. Ali eu fazia as letras, mas também tocava sax e escrevia os arranjos de sopro. Meus trabalhos autorais, discos como Singular, Província, Livramento (com Flávio Henrique) e Canções Brasileiras, privilegiam a música instrumental.


Phono: Canções Brasileiras é composto por sete faixas nos quais você atua como intérprete, revisitando (de forma intimista) canções de artistas diversos como Heitor Villa-Lobos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edu Lobo. Como se deu o processo de pesquisa e seleção do repertório?


Eu escolhi cinco canções mais intimistas e dois sambas, um de Dorival Caymmi, o outro de Gilberto Gil. Queria fazer um disco tipo Ballads, que o (John) Coltrane e outros fizeram. Um disco tranquilo. Os dois sambas entraram pra dar uma esquentada. Escolhi músicas que já tocava há muito tempo, já amadurecidas em nossa concepção, como a ária da Bachiana n.5. O tempo de duração de cada faixa é próximo entre 5 e 6 minutos, pois usamos sempre improvisações. Tomamos também liberdades nos arranjos, criando partes especiais para improvisações mais livres, mudando de vez em quando as harmonias, etc.



Phono: No disco você conta com a colaboração de três musicistas como os parceiros de longa data Enéias Xavier (baixo) e Lincoln Cheib (bateria) mais Christiano Caldas (piano). Como se deu a aproximação de vocês e como funcionou a dinâmica de gravação do quarteto em estúdio?


O Chris entrou pela necessidade de botar o piano no meu som, de ter esse som clássico do quarteto de jazz. Antes eu vinha tocando com o guitarrista Magno Alexandre, um craque, na harmonia. Essa foi a única diferença. Lincoln e Enéias são parceiros e amigos de longa data. As gravações fluíram bem; em dois discos gravamos tudo. Depois mudei algumas coisas, gastando mais uns mais dois dias. Houve também um processo de preparação, primeiro escrevendo os arranjos com o Chris, depois ensaiando. O mais importante é dizer que o quarteto funcionou muito bem, os caras arrasaram.


Phono: Com disco novo na praça quais são os planos futuros?


Eu quero divulgar esse trabalho com mais afinco, procurar os curadores de festivais, os sites adequados, a mídia, procurar alguns espaços, inclusive fora de Minas, pra mostrar esse Canções Brasileiras. Dia 24 de maio já temos uma reprise no Clube de Jazz de Belo Horizonte. Nossa estreia foi lá, no dia 10 de maio.



Serviço:


Chico Amaral: lançamento do álbum Canções Brasileiras

Data: 24 de maio de 2024

Local: Clube de Jazz do Café com Letras

Informações e ingressos aqui.



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