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Daniel Furlan apresenta a banda Tropical Nada no Saruê

Em uma tarde de domingo enquanto os foliões curtiam a ressaca de carnaval, Daniel Furlan se apresentou para uma plateia restrita mas muito interessada em um espaço novo da cidade, o Saruê Funcionários. Como bem lembrou Furlan, a última vez que tocou por aqui foi no encerramento da sua banda anterior, Ócio, em 2018. Agora ele retorna para lançamento do primeiro disco do novo projeto intitulado Tropical Nada.


Como é muito conhecido pelo sucesso de seus trabalhos humorísticos, era de se esperar que parte do público viesse ao show atraído pela presença do homem por trás de personagens tão cativantes. Furlan, que trouxe na mala merchandising para todos os gostos, foi receptivo e não esquivou o assédio dos fãs antes do show. A dúvida que pairava, entretanto, era como esta equação que envolve uma base de fãs engajada com projetos paralelos, banda nova, disco novo e casa nova se resolveria durante o show.



O público, composto majoritariamente por jovens na faixa de vinte anos, se posicionou frente ao palco e só arredou pé para permitir que Furlan atravessasse o público de aproximadamente 150 pessoas que marcaram presença no Saruê.


A boa surpresa veio já na primeira música “Quem é Meu Pai?”, que foi cantada pelos presentes como quem dá um recado: a gente conhece o som! O show seguiu nessa toada e a cada música aumentava a troca entre músicos e plateia.



O repertório intercalou, metodicamente, todas as músicas do disco com números de outros trabalhos como “Ninguém Se Parece com Você (No One)”, “Mercedes” e “Fora de Mim”. A sinergia do quarteto, também foi uma crescente ao longo do show, chamando atenção, especialmente pela interação entre Furlan e o baterista Bento Abreu. Não foram raras as vezes em que os músicos se entreolharam dando a entender um consentimento com o clima favorável do show. Realmente funcionou!


O primeiro contato com a música do Tropical Nada revela a marca indelével de Furlan: a ironia, o humor ácido, a provocação e o escárnio. “Eu canto é ‘Cheirando à segunda-feira’ e não NA segunda-feira”, fez questão de explicar ao final de “Você é um Piano Caindo do Topo de um Prédio em Cima de Mim”. Intervenções como esta provocaram o riso fácil de uma audiência que ansiava por uma graça a mais.



Para o delírio dos fãs a banda ainda tocou “Mãe, eu Tenho Medo” (Último Programa do Mundo) e “Amor Impossível”, música incidental do desenho animado Irmãos de Jorel. A grande surpresa para muitos, porém, ainda viria com a versão de “Toxic” de Britney Spears. Sim! Para o número, Furlan pediu que apagassem as luzes da casa.


O show seguiu com a luz intimista e terminou com uma não saída para o bis. A tríade final foi “A Gente Não Era Assim”, a introspectiva “Que Frenesi” e a empolgante “Ontem Eu Tive Um Pesadelo com Você” que contou com a participativa plateia nas palmas e refrão.




Tropical Nada


Tropical Nada é criativo e versa sobre relacionamentos com humor e uma camada rock muito menos pesada que a banda anterior de Furlan. A dinâmica do show é capaz de manter o interesse à primeira audição tanto pela diversidade das faixas quanto pelo texto. De tropical temos uma salada indie bem temperada com sonoridades familiares e arranjos divertidos. Soa despretensioso, mas é, sem dúvidas, um projeto cuidadoso que valoriza os timbres e a simplicidade. Daniel Furlan não é um músico virtuoso e não peca em excessos performáticos. A interação com o público se faz através da música e independe de carisma ou piadelas e isso é ponto para o papel que sua banda exerce ao vivo.




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