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Gabriel Bruce explora novos universos sonoros em "Intersecção dos Mundos"



Reconhecido como um dos bateristas mais versáteis de sua geração, o mineiro Gabriel Bruce consolida sua trajetória artística em Intersecção dos Mundos, novo trabalho que sintetiza influências, experiências e encontros musicais acumulados ao longo de sua carreira. A versatilidade do músico pode ser comprovada pela diversidade de projetos dos quais participou, transitando com naturalidade por diferentes linguagens ao lado de nomes e grupos como Graveola e Lucas Inutilismo, além de seu elogiado trabalho solo de estreia, Afluir (2020).


Em seu novo álbum, Bruce reúne um verdadeiro time estelar de colaboradores. Participam da empreitada o saxofonista Seamus Blake, Marcelo Jesuino, Antônio Neves, Filipe Coimbra, Marissol Mwaba, DJ RTA e Lucas Inutilismo, músicos que contribuem diretamente para a construção da rica amálgama sonora proposta pelo disco. O resultado é uma obra que atravessa fronteiras estéticas e reafirma a capacidade do baterista de dialogar com diferentes universos musicais sem perder a própria identidade.


Um dos aspectos mais marcantes de Intersecção dos Mundos é o clima de jam session presente na gravação. A espontaneidade das execuções transporta o ouvinte para dentro do estúdio, criando a sensação de acompanhar o processo criativo e a gravação em tempo real. Esse elemento se torna especialmente perceptível nas sete faixas intituladas “Portal”, que contam com a participação de Eloy Casagrande. Mais do que simples interlúdios, os “Portais” funcionam como passagens sonoras concebidas por Bruce e Casagrande para conduzir o ouvinte a cada novo universo apresentado nas faixas subsequentes. A interação entre os dois bateristas cria momentos de transição que ampliam a experiência imersiva do álbum, reforçando a proposta conceitual da obra e sua constante travessia entre diferentes paisagens sonoras.


A produção assinada por Magí Batalha desempenha papel fundamental nesse processo. Com atenção aos detalhes, o produtor capta em minúcias a essência do projeto, valorizando cada nota, textura e nuance interpretativa, permitindo que a riqueza dos arranjos se revele de forma plena.


Entre os destaques do repertório está “Raiz”, parceria com Lucas Inutilismo. Na faixa, Gabriel Bruce promove uma volta às origens, revisitando referências que dialogam diretamente com o metal. O encontro entre os dois músicos resulta em uma das passagens mais intensas do álbum, reafirmando a pluralidade estética que faz de Intersecção dos Mundos um dos trabalhos mais ambiciosos e representativos da carreira do artista.

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