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Haroldo Bontempo lança o single "Risada", parceria com o saudoso João Donato


Fotos: Rafa Chernicharo


Haroldo Bontempo é um compositor mineiro atuante no cenário independente de Belo Horizonte. Primeiramente, sua carreira foi iniciada como guitarrista da banda Mineiros da Lua, com a qual já lançou os discos “Queda” (2019) e “Memórias de um Mundo Real” (2021), além do EP “Turbulência” (2017).


Sua carreira solo foi iniciada em 2020 com o álbum “Músicas para Travessia” (2020), trabalho musicalmente minimalista (calcado somente na voz e no violão) e carregado, liricamente, pela pessoalidade de composições em alusão ao cotidiano.


Passados dois anos, Bontempo retomou a cena com um elogiado álbum autointitulado. Produzido na Ilha do Corvo, estúdio de Leonardo Marques, no disco Haroldo Bontempo (2022) o músico explora uma gama maior de sonoridades e texturas que se apoiam no samba, na bossa e no choro, mas mantendo intacta sua verve poética pessoal.


Em 2023 Haroldo volta a cena com um novo single, "Risada". A faixa é uma parceria com, nada mais nada menos, que o saudoso João Donato, músico referência da nossa MPB. Além de ter construído uma estupenda carreira solo, Donato foi parceiro de artistas do quilate de Caetano Veloso, Jards Macalé, Gilberto Gil, Marcelo D2, Gal Costa, entre tantos outros. Infelizmente, o artista nos deixou em 2023 em decorrência de uma infecção nos pulmões.


Em entrevista concedida por e-mail, Harodo Bontempo fala sobre sua relação com o universo da música, seus anseios artísticos, o processo de composição do novo single, a parceria com João Donato e muito mais. Leia abaixo!


Gosto, na medida do possível, de começar as entrevistas abordando aspectos ligados as origens artísticas. Nesse sentido, como se deu a relação com o universo da música? E ainda: em que momento você percebeu que seria um musicista?


Eu cresci bem distante de um universo musical... Meu núcleo familiar não tinha esse costume, e eu não lembro de frequentar rodas de violão até as que eu mesmo participava... No entanto, em devido momento, minha mãe começou a cativar isso, quando eu tinha 10 anos ela perguntou se eu queria fazer aula de violão e eu quis. Um ano depois eu escrevi minha primeira música... tudo que eu ia aprendendo eu já usava de base pra criar. Anos depois que eu fui descobrir que minha avó era musicista e o pai dela era um cantor e violonista famoso na nossa cidade, Pompéu. Honestamente, eu acho que nunca percebi que seria um musicista... até hoje fico meio angustiado achando que não "cheguei lá" ainda... mas eu carrego dentro de mim essa necessidade de expressar as coisas que sinto e esse fascínio pelos intervalos, pelos timbres que me levam a querer ocupar os palcos, estúdios e por ai vai.

O início de sua trajetória musical se deu com o grupo Mineiros da Lua em 2017. De lá pra cá, você se estabeleceu como artista solo e também tem atuado nos bastidores na produção de shows. Analisando em retrospecto, como você vê, em termos evolutivos, a sua relação artística? Quais eram os objetivos que você tinha nos primórdios que foram atingidos e quais você ainda pretende alcançar?


Minha relação artística foi se tornando cada vez mais sóbria. Quando a gente lançou o primeiro álbum dos Mineiros da Lua eu acreditava que a coisa era muito mais simples do que realmente é... Eu pensava nas listas de melhores do ano e nos festivais... Hoje eu penso nas estratégias de comunicação, em ações para atingir certo público, nos retornos... Acho que to me tornando um profissional, né? Com a banda a gente atingiu vários objetivos, como as tais listas de melhores do ano, conhecer gente no Brasil inteiro pela internet, agora o objetivo é conhecer pessoalmente esse pessoal, circular, e continuar aprendendo como as coisas acontecem, até pra ajudar os colegas, o que sempre foi um objetivo pra mim.


Em seu último disco, autointitulado, é perceptível que a sua musicalidade / versatilidade amadureceu ainda mais, estabelecendo conexões ainda mais próximas com a MPB. Passado um ano de lançamento, o que esse trabalho representou na sua carreira?


O segundo disco foi, acima de qualquer coisa, um estudo. Estudo de harmonia, arranjos e de questões mercadológicas também, como estratégias de divulgação, práticas de edição musical (pelo meu selo YB Music). Mas de certa maneira eu sinto que o segundo disco foi uma extensão da minha estréia... Pois eu lancei o primeiro no início da pandemia, então não senti na pele a diferença de uma fase pra outra, sabe?


Antes de falar sobre "Risada", seu mais novo single, gostaria que falasse sobre como se deu a sua aproximação como João Donato. Como foi a sensação de, primeiramente, de ter sido a atração de abertura de um show realizado na Autêntica para, posteriormente, vocês trabalharem juntos numa faixa?


Foi cinematográfico de certa forma... Eu tinha tido a ideia da música sem saber de nada disso, nem imaginar! Gosto de pensar que foi algo planejado pelos astros, senti uma inspiração causado pelo álbum de Donato e, alguns meses depois, tive a oportunidade de apresentar pra ele, que sentiu algo e quis desenvolver... Tinha que ser!



Foto: Júlio Santa Cecília


Agora, falando de forma mais direita sobre o single em si, gostaria que você falasse sobre o processo de composição da faixa. Como o mesmo se deu e de que forma o Donato entrou na jogada?


Eu toquei pra ele um tema, uma progressão simples com uma melodia... Que eu escrevi numa época em que estava ouvindo o "Quem é quem" (1973) sem parar, foi minha inspiração pra aquilo. Quando apresentei pra ele e perguntei se ele teria interesse em trabalhar, eu pensei que talvez ele fosse me dar algum toque de como continuar... Mas eis que ele sugere dele mesmo fazer uma segunda parte, pra gente juntar e compor uma música. E foi o que rolou... Donato fez um tema que virou o A da música, o meu virou o B e estruturamos a música juntos numa tarde no Marini, estúdio do Kassin, em Botafogo, RJ.


"Risada" é uma prévia de um EP que será realizado em 2024. O que podemos esperar dele?


Podem esperar se surpreender (risos). Tá diferente de tudo, o trabalho é o resultado de pouco mais de um ano de experimentações lá no Cais, estúdio do Bernardo Bauer e do Felipe D’Angelo. Os dois álbuns que lancei eu entrei em estúdio com o repertório, com a ideia... Esse EP não, eu ia inventando e gravando, experimentando, testando... Ficou um trabalho mais inventivo e diverso, com várias figuras da cena de BH, e uma música com o Dinho Almeida, cantor do Boogarins, também!


Capa do single "Risada"

Foto: Haroldo Bontempo





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