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Mac DeMarco na Autêntica: o culto ao "velho do mato" que não me convenceu

Texto: Rodrigo James / Fotos: Bárbara Moreira


Nos dias que antecederam o show de Mac DeMarco em Belo Horizonte, acabei esbarrando em uma entrevista concedida por ele ao G1, na qual se define como “um homem velho vivendo no meio do mato, em uma área rural do Canadá”.


Não consegui tirar essa imagem da mente, principalmente ao saber que os ingressos para sua apresentação na Autêntica esgotaram em minutos. Que artista é esse que, lá do isolamento canadense, consegue arrebatar multidões que criaram quase um culto em torno de si e de sua música?



Rewind para 2018, quando tive a oportunidade de assisti-lo no Lollapalooza Brasil. É bem provável que grande parte do público presente à Autêntica, na noite de 12 de abril, nem tivesse idade suficiente para ir a um festival naquela época. Pois ele já estava lá, atraindo uma multidão um pouco mais velha. Lembro-me pouco daquela performance, mas duas imagens me vêm à memória: ele plantando bananeira no palco e encerrando o set com um cover de “Under the Bridge”, do Red Hot Chili Peppers. Um show correto, mas que não me deixou marcas.


Voltamos a 2026. Um dos objetivos mais almejados por qualquer artista é transcender gerações e convencer os mais novos de que aquela música "feita para velhos" é, na verdade, para todos. Mac DeMarco, ao que tudo indica, conseguiu. O público na Autêntica era bem jovem; não era raro ver pais com filhos adolescentes transitando pela casa. Também foi curioso observar o comportamento da plateia, que chegou cedo, formou uma fila gigantesca e se postou diante do palco como uma massa compacta. Os bares da casa? Vazios.



Mas e o show? Privilegiando canções de Guitar, seu disco mais recente, de 2025, Mac entendeu que um artista não pode se prender a um nicho só. Foi hábil ao incluir no repertório faixas de Salad Days, Another One e 2, álbuns que o colocaram no mapa do indie rock da década passada. No palco, ele se reveza entre empunhar a guitarra e apenas cantar, deixando os timbres a cargo do ótimo guitarrista brasileiro Pedro Martins — o grande destaque da banda, que conta ainda com Daryl Johns no baixo, Phil Melanson na bateria e Alec Meen nos teclados.



O “apenas cantar” é força de expressão, pois Mac não consegue ficar parado e balança o corpo o tempo todo no beat das canções. E, na verdade, ele é um exímio cantor, algo que se sobressai em faixas como “Shining” (a abertura), “Rock and Roll” e “Still Beating”. Sim, ele repetiu a bananeira que vi oito anos atrás e encerrou a noite com as duas músicas que melhor o representam: “Chamber of Reflection” e “My Kind of Woman” — esta última no bis.


Talvez o leitor esteja achando que eu vi o show da minha vida. Longe disso, e é aí que a porca torce o rabo. Do meio para o fim, a sensação era a de presenciar um show "certinho", bonitinho demais, feito para agradar em cheio àquela audiência mais jovem, mas que se desconecta de quem busca algo a mais. Se para a GenZ ali presente o som de Mac representa exatamente o que procuram neste momento, para quem já tem um pouco mais de estrada, o show soa como "apenas mais um".

Sabe quando você sai de um evento, senta em um bar e já nem se lembra direito do que aconteceu? Foi o que senti na Autêntica. Um show correto, com raros momentos de brilho (como a jam instrumental ao final, evocando os melhores momentos do Wilco), mas que será facilmente esquecido.



SETLIST


  1. Shining

  2. For the First Time

  3. Sweeter

  4. On the Level

  5. Phantom

  6. Salad Days

  7. 20191009 I Like Her

  8. No Other Heart

  9. Rock and Roll

  10. Still Beating

  11. Passing Out Pieces

  12. Home

  13. Heart to Heart

  14. Knockin

  15. Ode to Viceroy

  16. One More Love Song

  17. Another One

  18. Rooster

  19. Freaking Out the Neighborhood

  20. Holy

  21. Moonlight on the River

  22. Chamber of Reflection

  23. My Kind of Woman (Bis)

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