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Napalm Cobras registra a força dos palcos em álbum ao vivo

Atualizado: há 2 dias

Fotos: Lucas Souza
Fotos: Lucas Souza

Formada em 2021, em Belo Horizonte, durante a pandemia, a Napalm Cobras é composta atualmente por Uander Trajano (baixo e voz), Luiz "Gringo" Bueno (guitarra e voz) e Humberto "Beto" Monteiro (bateria). O trio consolidou sua proposta ao unir influências do punk, metal, crust, blues e hard rock, combinação que resultou no EP Homens Brancos de Terno (2023) e, posteriormente, no single "Longo Caminho Para Casa" (2024), lançamentos que abordam desde questões políticas e sociais até temas ligados ao cotidiano.


O trabalho mais recente, Ao Vivo no Metalpunk Overkill, registra a apresentação realizada no Caverna Rock Pub, em Belo Horizonte, durante o festival de mesmo nome em 2024. O álbum ganhou repercussão ao ser retirado temporariamente das plataformas de streaming após uma equivocada acusação de uso de inteligência artificial — situação que a própria banda ironiza ao afirmar que a intensidade da gravação "bugou o algoritmo". Relançado posteriormente, o registro, que também está disponível em vídeo no canal da Goblin TV, reforça a reputação do Napalm Cobras como uma banda cuja identidade se manifesta de forma mais evidente nos palcos.


Nesta entrevista, o trio comenta a construção de sua sonoridade, a opção por registrar um show ao vivo, a importância de manter um discurso crítico em suas letras, a cena underground de Belo Horizonte, os desafios de uma banda independente e os planos para o primeiro álbum de estúdio com material inédito.  Confira!


A Napalm Cobras surgiu em meio à pandemia com uma proposta sonora que reúne punk, metal, crust e blues. Como esse contexto de formação influenciou a identidade da banda e de que maneira vocês conseguem equilibrar influências tão diversas sem perder uma personalidade própria?


O ponto inicial para a formação da banda foi buscar referências, como não temos intenção de ser uma banda exclusivamente punk ou metal, procuramos extrair o que achamos mais interessante em cada estilo, claro tentando manter uma sonoridade coerente e que seja interessante para nós. 


As letras da Napalm Cobras abordam temas como indignação, conflitos sociais, alienação, violência e as contradições do mundo contemporâneo. De onde vêm essas inspirações e qual é a importância de manter um discurso crítico em um momento em que boa parte da música parece privilegiar temas mais leves ou comerciais?


Tudo pode virar letra de música, no nosso primeiro EP abordamos temas como críticas a pastores na política, a rotina desgastante dos grandes centros urbanos, uma música sobre ser você mesmo e até um blues sobre coração partido. Achamos importante usar o rock’n’roll como forma de expressão para explanar temas políticos e se posicionar, mas vamos além e abordamos outros temas que fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso estilo de vida e tudo que é importante pra gente, tudo de forma crua e verdadeira.


Em um momento em que muitas bandas apostam primeiro em singles ou em um novo álbum de estúdio, vocês optaram por lançar um registro ao vivo. O que motivou essa decisão? Foi uma forma de apresentar a verdadeira essência da Napalm Cobras, de registrar um momento específico da trajetória da banda ou havia outros objetivos por trás desse lançamento?


Em 2022 lançamos o EP Homens brancos de terno que abriu muitas portas para nós, mas não ficamos totalmente satisfeitos com o resultado do registro. Muitas pessoas comentaram que o EP não tinha a mesma energia que os nossos shows e quando surgiu o convite para tocar no MetalPunk Overkill, achamos que era uma boa oportunidade para gravar o show. No final, ficamos muito satisfeitos com o resultado, parecia uma outra banda comparada ao EP e os comentários foram muito positivos! 


O recém-lançado álbum ao vivo registra justamente aquilo que muitos comentam sobre a Napalm Cobras: a intensidade das apresentações. O que um show consegue transmitir que, na opinião de vocês, nenhum álbum de estúdio é capaz de capturar?


Na verdade, o álbum já havia sido lançado em 2023 e infelizmente foi derrubado das plataformas por acusação de uso indevido de IA. Achamos isso sintomático... veja: conseguimos bugar o algoritmo tamanha foi a energia e o caos do Ao Vivo Metalpunk Overkill! Se os riffs sujos e a pressão sonora conseguiram virar o sistema de cabeça pra baixo, acho que dá pra capturar o que um ao vivo consegue fazer. Acreditamos que é ao vivo que a verdadeira essência da banda é mostrada e ver o público cantando junto e agitando a cada música, é muito gratificante! Acho que existem muitos fatores que tornam o show um momento único! Toda atmosfera, em torno da música, não saber o que vai rolar até dar o primeiro acorde.. Adoramos compor, gravar em estúdio, mas é no palco que tudo vale a pena! 


Quem já viu a banda ao vivo costuma destacar a energia quase caótica das apresentações. Essa intensidade é algo planejado ou simplesmente acontece como consequência da interação entre vocês e o público?


Toda a energia que entregamos no show é natural, não sabemos ser diferente disso e quando o público retribui, temos certeza que estamos no caminho certo! Essa energia é o que faz Rock’n’roll ser o que ele é e atravessar gerações. É quase uma necessidade básica, sair, ouvir uma banda alta, dividir espaço com outras pessoas e curtir.


Amamos a música! Ela é uma parte indissociável de nós e talvez a expressão máxima da nossa subjetividade! Acho que isso se reflete no palco... Quando subimos no palco pra tocar, deixamos nele uma parte da gente e acredito que essa autenticidade conecta com aquele ouvinte que considera música tão importante como a Napalm. Com isso, a energia gerada é o que você comentou, algo intenso e devastador!



Belo Horizonte tem uma tradição fortíssima quando se fala em música pesada. Como vocês enxergam a cena atual da cidade? Ainda existe aquele espírito de colaboração entre bandas ou o cenário mudou bastante nos últimos anos?


A cena atual é forte e há muitas bandas boas! Se você procurar um show, vai achar pelo menos um por semana. E isso só acontece, porque há união! Não se movimenta o underground sozinho. Claro que há muitas dificuldades, falta de estrutura, de investimentos, de remuneração, muito amadorismo... mas achamos que existem bandas e pessoas sérias tentando fortalecer o underground. Contem sempre com a Napalm Cobras; no que depender de nós, sempre estaremos lutando pelo underground!


Ao longo da trajetória, a Napalm Cobras já dividiu o palco com grandes nomes do cenário nacional e internacional da música pesada. Como tem sido essa dinâmica de compartilhar festivais e shows com bandas consagradas? Existe alguma experiência ou aprendizado dessas ocasiões que tenha marcado a trajetória da Napalm Cobras e influenciado a forma como vocês encaram as apresentações ao vivo?


É muito gratificante! Surpreendentemente pra muitos, essas bandas grandes são geralmente aquelas que trazem os melhores feedbacks pra gente. Ficamos lisonjeados com elogios, dicas e reconhecimento daqueles de quem somos fãs. Ressaltamos, por exemplo, as conversas recentes com os Varukers e Sociedade Armada, comparando nosso som com o de bandas consagradas e compartilhando ensinamentos. Isso é muito recompensador.


Hoje uma banda independente precisa conciliar composição, ensaios, gravações, redes sociais, distribuição digital e produção de shows. Qual vocês consideram ser o maior desafio para manter um projeto autoral vivo no Brasil?


Infrestrutura e grana! Infelizmente é praticamente impossível sobreviver da música no cenário atual, sobretudo com a desvalorização da música com a ascensão das plataformas de streaming. Banda autoral é sinônimo de gasto e nos dedicamos por amor e esperança de fazer um projeto como esse crescer, para espalhar nossa mensagem. Além disso, em virtude de todas as limitações de recursos que há na cena underground, há muito amadorismo e falta de infra, o que dificulta a qualidade do produto que é entregue.


Depois do lançamento do álbum ao vivo, quais são os próximos passos da Napalm Cobras? Há planos para material inédito, turnês ou novos projetos que o público já pode começar a esperar?


Estamos terminando a composição de algumas faixas inéditas para unir a algumas das músicas que já tocamos em shows mas não estão gravadas e lançar um álbum. As gravações serão feitas neste ano ao que tudo indica e dependendo de como avançar a mixagem, o trabalho pode sair em 2026 mesmo. Além disso, pelo menos um clipe será produzido com essas inéditas, e estamos prevendo alguns shows até o fim do ano. Se tudo der certo ainda, uma tour em algumas cidades fora de Minas Gerais pode sair em 2027. Vamos torcer!




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