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Paul McCartney reacende a chama da Beatlemania com shows protocolares

Seria esta a última passagem de Paul McCartney pelo Brasil? Para muitos, o Beatle de 82 anos dá sinais de que a longa e sinuosa estrada está chegando ao fim. Para outros, a passagem da turnê Got Back prova que Paul McCartney é um dependente do ofício e não vai pendurar o Hofner enquanto houver fôlego.


A presença do Beatle Paul na cidade é, em si, um assunto que rende ótimas histórias. Para quem é fã do artista e de sua obra que atravessa gerações, é um evento épico sem precedentes. Durante os dias em que esteve hospedado em Beagá para uma série de dois shows na recém-inaugurada Arena MRV, Paul McCartney, além de protagonizar ótimas performances, promoveu uma onda de emoção, esperança e saudosismo.



Hospedado em um luxuoso hotel na região Centro-Sul de Belo Horizonte, Paul McCartney esteve a poucos metros de grandes nomes da música brasileira que coincidiram suas agendas com o astro pop. Ney Matogrosso, Caetano Veloso e a banda Titãs, dividiram o mesmo hotel na cidade, o que rendeu ótimos registros e relatos. No estádio, um sem número de artistas também foram assistir a imperdível apresentação, mas o destaque foi, sem dúvida, a presença ilustre de Milton Nascimento, outro gigante da música, que foi convidado de forma providencial pela organização.


Os shows de Paul em Belo Horizonte seguiram o script mais óbvio. Paul falou “Uai”, executou seus números sem desafinar ou descer o tom, passeou por toda a carreira tocando clássicos memoráveis de The Beatles, Wings e álbuns solos e entregou muita diversão e emoção com um palco cheio de boas imagens e a esperada pirotecnia. Com pequenas alterações no repertório, ambos os shows surpreenderam pela energia com que o incansável baixista atravessou as quase 3 horas de espetáculo.



Apesar da entrega impecável de Paul McCartney e banda, os shows daqui ficaram marcados por dois episódios, até onde se sabe, não relacionados. O primeiro deles foi o enorme atraso no primeiro dia que testou a paciência e energia do público presente e foi justificado por problemas técnicos. O segundo, foi o fato do baterista Abe Laboriel Jr. ter tocado ambos os shows usando apenas a mão direita. As notícias eram de que o baterista, que encanta pela performance e bom humor, teria se ferido após o show anterior em Brasília.


E se um show tão especial é feito por histórias individuais e da relação afetiva e carga emocional que cada um carrega pela música de Paul McCartney, decidimos dar a palavra para o público. Perguntamos sobre a expectativa para o show, se seria este um show de despedida, qual a música mais esperada e muito mais. Confira a emoção dos fãs que assistiram Paul McCartney em Beagá!



Os Primeiros


Viemos de Varginha, Sul de Minas. Cheguei às 9h da manhã pra aproveitar e pegar um bom lugar. Reinaldo, Reinaldo III e Patrícia Azobel
Este é meu quinto show do Paul. Quando eu cheguei, perguntei pela fila prioritária e ainda não tinha. Eu fui o primeiro a chegar. A música que mais espero ouvir hoje é “Here Today” em homenagem a John Lennon. Wilson Cristofane, BH


Uma prima me trouxe pro show de 2017 e me apaixonei pelos Beatles. Cheguei às 8h da manhã pra ver da grade. Todo ano que anunciam show aqui falam que é o último, mas ele sempre volta. Acho que ele vai até os 90 anos fazendo shows. Ontem eu vi um mar de gente aqui, foi maravilhoso! Raul Modesto Azevedo, BH
Este hoje é meu 11º show do Paul McCartney. O Paul sem dúvida é o melhor compositor de todos os tempos. Eu não duvido que o Paul volte. Vale lembrar que ele está com problema de voz. E o baterista dele tocou um com braço com o show inteiro. O que mais me emociona é o final do lado B de Abbey Road. João de Deus Filho, 65, BH



Beatlemania


O Fã Clube tem 30 anos e foi fundado no show do Paul McCartney de 1983 no Pacaembu. Tem pessoas do Rio, do Chile, do Amazonas. A emoção está guardada para "I've Got a Feeling" com a participação do John no telão. New Magical Mystery Tour - Diego Stainber, BH



Do nordeste para a Arena MRV


Assim que a gente foi notificado que não teria o show em Fortaleza, a gente programou a viagem. O Paul, indiscutivelmente, é o artista vivo de maior relevância há 10 anos. O estádio é muito bonito, mas a entrada única para todos os setores em dia quente e de chuva deixou muito a desejar. Raul Cacau, Fortaleza


A pessoa que tem a mínima cultura musical tem que ser apaixonada por Beatles. Eles lançam "Now and Then" agora e parece que foi feita ontem. A inteligência deles é absolutamente natural! E eu estou muito impressionado com a Arena do Atlético-MG. Muito prática e funcional! Anquisis Moreira, Fortaleza



Histórias


Em 1970 eu tinha 16 anos e com o meu primeiro salário eu comprei todos os discos do Beatles. Tive um programa semanal de Beatles na rádio Comunicativa de Vespasiano entre 2000 e 2005. Eu vi que em "I've Got a Feeling" ele coloca o John Lennon no telão. Eu vou às lágrimas! Haroldo Vicente da Silva, Vespasiano
Já fui em vários shows do Paul. O mais marcante foi o do meu aniversário de 40 anos em Goiânia, aquele show que encheu de gafanhotos! Eu fui ver a passagem de som, onde ele sempre toca músicas que não estão no repertório. Acho que pode ser a última turnê no Brasil... mas é difícil falar. DJ Nezt, BH


Terminando esta turnê são 25 shows que vi do Paul desde 1990. Eu entendo que esta banda é melhor que a banda anterior. Claro que hoje ele está com a voz cansada. Ele é um cara que não abaixou o tom, isso existe um preparo físico. Eu acredito que o Paul se cuida e essa não é a última turnê. O ponto alto pra mim é ver ele cantando com o John em "I've Got a Feeling". João Luis Roveri



Família


O primeiro assunto com o meu marido foi Beatles. Meu irmão sempre ouviu Beatles no último volume. Eu gosto especialmente do Paul que faz a música mais romântica, que eu me identifico. A gente também pensa que pode ser o último. Renata Mauler e Christian Baldi
Este é o primeiro show que assisto. Eu acho que é a última chance que a gente tem de ver um Beatle na vida. E aproveitar a oportunidade e trazer os filhos que estão no caminho do rock'n'roll. Minha expectativa hoje é ouvir "Golden Slumbers" e talvez a "Now and Then". Edvano Lima, Santa Luzia


Eu fiz 70 anos e ganhei o ingresso de presente do meu filho. Pra mim é muito emocionante porque, com certeza, é a última vez que o Paul vai me ver. Comecei a ouvir Beatles com 13 anos de idade. Vai ser incrível ver o show com a minha mãe. Foi um presente de 70 anos que consegui dar a ela. E é difícil pagar um ingresso desses no Brasil. Telma Luiza Ferreira e Paul César Filho
Vai ser o quarto show do Paul McCartney. Ele parece ser tão fominha de tocar que parece que só vai parar quando não tiver jeito. Ele é o maior artista vivo e ele não parou no tempo. Até hoje ele tem coisas novas, modernas. Meu pai queria ouvir "Eleanor Rigby", pra mim só de ter "Live and Let Die" já valeu o show. Luã Linhares
É o primeiro show da minha vida. Sou muito fã de Beatles. Estou muito animado, espero que eu conheça a maioria das músicas. A minha música preferida do Paul é "Let it Be". Davi, 11 ano, BH



Abe Laboriel Jr.


O baterista do Paul é o tipo do baterista que eu gosto mais. Tem influências parecidas com as minhas. Ele tocando soa maravilhoso! É bem complicado fazer um show com um braço, mas um cara desses está tão inserido no groove... no final dá certo e pode ficar até mais "groovado". O Paul ainda dará sangue por muito tempo. Ele está fazendo isso desde a adolescência, é uma necessidade vital. Flávio Freitas, baterista


A gente está falando do maior show do planeta. O pai do Abe Laboriel Jr. tem uma coisa humana, musical, indescritível. O Abe Jr. é isso também, sente tudo que está acontecendo ali. Eu vejo ele nessa situação de tocar com uma mão e não parece, está tudo certo. É impressionante e é um recado muito bonito. O Paul nessa idade fazendo show de estádio de 3 horas... a sensação que me dá é que essa é a vida dele e não as outras coisas. É isso que ele respira. Jean Dolabela, baterista

...and in the end


Bebo da fonte desde criança, porque meu pai é fãnzaço dos Beatles. Acho que o Paul se destaca não só pela música, mas pela pessoa que ele é: a humildade, o carisma, a simplicidade. Milton Nascimento aqui hoje significa o encontro de dois gigantes. Milton construiu uma carreira tão pessoal que, nos EUA em festivais de jazz, o estilo dele é categorizado como "Milton" e não World Music. Felipe Moreira, músico e professor


Valeu muito a pena ter vindo. Eu vi ele tocar muita coisa que eu não tinha visto. Paul está muito bem. A gente volta inspirado em ver o tanto que ele gosta de fazer o que ele faz, de estar em cima do palco, de sentir a plateia. Quero chegar aos 81 desse jeito aí. Rodrigo Padrini, BH

Conclusão


O show de Paul McCartney não é um show qualquer. Estar diante de um Beatle é memorável e cada detalhe dessa experiência vira uma história para contar. A decisão de ouvir os fãs é também uma forma de fazer valer o esforço, a ansiedade, a euforia e a catarse coletiva em torno do show do maior artista pop da atualidade. A marca desta passagem de Paul McCartney por Belo Horizonte é, sem dúvida, a vivacidade com que ele entrega sua música ao público.


É evidente o quão apaixonado Paul McCartney é pelo que faz. Com um repertório que contempla toda sua produção - com direito a homenagens aos amigos e amores - Paul executa suas baladas e hinos pop, mas não se deixa enganar: sob o terno impecável está um astro do rock!

Expectativas à parte, é impossível sair frustrado. Quem viu que conte sua história.



Avaliação Final



Apesar de um show de arena sem precedentes, recheado com todos os bons elementos de um espetáculo pop, destaca-se a experiência negativa do público que enfrentou longas filas e atrasos sob um clima instável. O primeiro show oficial da Arena MRV revelou gargalos logísticos e também contrariou pelos excessos, como o preço absurdo do estacionamento.


Se levarmos em conta que trata-se de um show com presença de crianças e idosos, mais um vez temos uma cadeia de riscos iminentes negligenciados, a começar pela exposição à intempérie. Uma queixa recorrente foi a decisão de unificar as filas de todos os setores. Vale ressaltar que houve sim distribuição de água gratuita durante as horas que antecederam o início do show.




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1 commentaire


Renata Mauler
Renata Mauler
27 déc. 2023

O show foi um sonho, emoção pura! E fiquei muito feliz por ver minha opinião publicada aqui. Orgulhosa por ter participado desse momento único! E depois q o Paul se despediu dizendo "até a próxima", minha esperança de um retorno se acendeu.

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