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Pelos promove revitalização do rock com o álbum Atlântico Corpo

O rock, historicamente, sempre foi instrumento para propagar ideais revolucionárias. A trajetória de ícones como Roger Waters, Bob Dylan e de grupos ligados a cena punk como o The Clash, Ratos de Porão ou o Bad Brains são apenas alguns exemplos de artistas que conseguiram, cada um a sua maneira, ler o seu tempo e fazer do seu modus operandi artístico uma forma de operacionalizar mudanças sociais.


Foto: Rafael Freire

Porém, nos últimos anos o que se vê, tal como o controverso Lobão verbalizou em "O Rock Errou", o gênero envelheceu mal, principalmente se pensarmos na ala mainstream. Prova disso é que, além de perder boa parte do seu poder de conquista e mobilização do público, o rock, de forma geral, tornou-se careta, omisso e reacionário. Tal fato fez com que as conexões com a juventude fossem rompidas. Hoje, é na cultura hip hop que o jovem vê uma forma de se expressar e dialogar com seus desejos e anseios. E se o rock voltou ao underground, é de lá que vêm um dos melhores expoentes nacionais da atualidade, que consegue revitalizar o gênero num autêntico e louvável exercício de estabelecer conexões entre a tradição e a modernidade: o Pelos.



Natural de Belo Horizonte, a banda hoje tem em sua formação Robert Frank (voz, guitarra e piano), Kim Gomes (guitarra), Heberte Almeida (guitarra, violão, piano e voz), Thiago Pereira (baixo) e Pablo Campos (bateria). Em seu quarto (e melhor) álbum de estúdio, intitulado Atlântico Corpo (2022), a sonoridade do grupo esbanja maturidade ao manter o rock como essência, mas também promove diálogos com sonoridades diversas como o funk e o soul.


Liricamente, as músicas do quinteto promovem poderosas odes político-sociais à contemporaneidade ao abordar o cotidiano de forma pungente, tendo a cidade de Belo Horizonte, suas pessoas e lugares, como personagens e temáticas. Menções a figuras icônicas locais como a travesti Cintura Fina e aos bairros Serra e Bonfim são apenas alguns exemplos das conexões locais que movem e influenciam o grupo como surge na canção "Da Serra ao Bonfim".



Outra canção que se destaca é "Lágrimas Brancas" cuja temática antirracista estabelece diálogo aberto com “Lágrimas Negras” (Nelson Jacobina/Jorge Mautner) que foi gravada primeiramente por Gal Costa no disco Cantar (1974). A faixa ganhou, inclusive, um belo videoclipe dirigido por Gabriel Martins (Marte Um).


Produzido pela banda junto a Leonardo Marques, no estúdio Ilha do Corvo, o disco também é marcado pela coesão melódica ao apostar em timbres que conseguem valorizar, em mesmo grau de equivalência, guitarras altas, baixo e bateria swingadas, harmonias vocais e melodias calcadas ao piano. A cantora Michelle Oliveira (da banda mineira Cromossomo Africano) participa do disco e abrilhanta faixas como a já citada "Lágrimas Brancas", "Ao Sul de Zona de Alguma" e "Festa Corpo Banto". Quem já viu o grupo ao vivo sabe como eles conseguem traduzir de forma plena toda a urgência e beleza construídas em estúdio.



Ouça Atlântico Corpo em todas as plataformas de streaming e acompanhem a agenda do grupo no Instagram.



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