Pesta revisita trajetória e processo criativo do disco The Craft of Pain
- Bruno Lisboa
- há 12 horas
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Com mais de uma década de trajetória dentro do underground brasileiro, o Pesta chega a 2025 reafirmando sua identidade com The Craft of Pain, um trabalho que aprofunda o peso emocional e a densidade sonora que marcam a banda mineira desde o início. O novo disco não apenas expande o universo musical do grupo como também revela um momento de maturidade criativa, no qual experimentação e tradição convivem sem conflito. “A essência Heavy Doom sempre estará lá, mas gostamos de olhar pra frente e nos desafiar”, resume a banda ao comentar o processo que levou ao álbum.
Formado atualmente por Thiago Cruz (vocais), Marcos Resende (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria), o Pesta construiu sua reputação a partir de uma base sólida no doom metal clássico, dialogando com influências setentistas e com nomes fundamentais do gênero. Ao longo dos anos, o grupo foi gradualmente ampliando suas possibilidades sonoras sem perder o eixo que sustenta sua identidade. Essa evolução aparece de forma clara no novo trabalho, que incorpora novos timbres e arranjos — incluindo violoncelo, violão, theremin e percussões adicionais — ampliando as camadas atmosféricas do disco. “Nunca nos sentimos exatamente presos a uma sonoridade ou estética… gostamos de olhar pra frente e nos desafiar, e isso traz mudanças”.
Além do cuidado na construção sonora, The Craft of Pain também se destaca pelo conceito lírico desenvolvido pelo baixista e letrista Anderson Vaca. O disco investiga a dor como uma estrutura social e simbólica de poder, um tema que atravessa várias faixas do álbum. “A dor é uma prática aprendida e transmitida na sociedade para exercer poder, imputar uma forma de pensar… é uma forma de controle”, explica o músico. Essa abordagem se reflete diretamente na música, que busca traduzir a intensidade das narrativas em peso e atmosfera — caso da faixa “The Inquistor”, descrita pela banda como “uma das mais pesadas e épicas do álbum”.
O trabalho também marca um momento de abertura criativa dentro da própria dinâmica do grupo. Se os álbuns anteriores foram gravados majoritariamente ao vivo em estúdio, desta vez a banda optou por um processo mais fragmentado, permitindo explorar arranjos e camadas com maior liberdade. “A base ainda está lá ao vivo, mas o resto foi construído em etapas… tirou a gente da zona de conforto e o resultado foi perceptível”.
Outro ponto de destaque é a participação especial de Scott “Wino” Weinrich, figura histórica do gênero e conhecido por seu trabalho com Saint Vitus e The Obsessed. A colaboração surgiu após uma série de shows compartilhados no Brasil e acabou se transformando em um momento simbólico para a banda mineira. “Ele escolheu a música, marcou a data do estúdio e nos mandou essa colaboração incrível… isso coloca a Pesta, mesmo que de forma pequena, dentro de uma cena global”.
Entre reflexões sobre identidade artística, bastidores de estúdio e a difícil realidade de manter uma banda pesada no Brasil, o Pesta também fala sobre a energia quase ritualística de seus shows — algo que, segundo eles, não é planejado, mas acontece naturalmente. “Naquele momento ali é a hora de catarse mesmo, expulsar seus demônios… ou chamar eles”.
Na entrevista a seguir, Marcos revisita a trajetória do grupo, detalha o processo de criação de The Craft of Pain, comenta colaborações, a cena metal mineira e os próximos passos — com uma certeza: 2026 será um ano dedicado a levar o novo disco para a estrada. “Essa é a hora de tocar o máximo possível”, afirmam. “Se você é produtor e quer levar essa Bruxa velha pra sua cidade, esse ano está propício.”
Olhando para o caminho desde o início da banda até hoje, o que vocês sentem que mudou mais: a sonoridade, a postura artística ou a forma de se relacionar com o público?
Algumas coisas sabemos que não mudaram. Poderia dizer que em relação ao relacionamento com o público nada mudou. Nós da Pesta crescemos vendo uma geração que era um tanto quanto “snob” com seu público. Não podemos dizer de todos é claro, sempre tiveram pessoas sensacionais na cena, mas sim, era muito comum pessoas de nossa geração se apaixonar com uma banda e quando conhecia aquelas pessoas, eles eram um porre, muito orgulho e soberba, como se ter uma banda te colocasse em um pedestal acima dos outros. E isso foi algo que nunca aconteceu com a gente, claro que não estamos colocando a Pesta em nenhum pedestal, nós estamos no corre assim como todas as outras bandas, mas nosso trato com o público é importante para nós e isso nunca vai mudar. Como gostamos de dizer, nós somos banda em um dia e público no outro, então nada melhor que valorizar essas pessoas que estão indo lá para nos ver.
Bom, já em relação a sonoridade e postura artística, essa sim dá pra olhar pra trás e ver algumas mudanças… Nunca nos sentimos exatamente presos a uma sonoridade ou estética e isso é importante para nós, se você ouvir cada um dos nossos álbuns, vai ver que houve mudanças. Desde o início foi assim, o primeiro lançamento que foi o EP Here She Comes… já soa diferente do primeiro full, que foi o Bring Out Your Dead e isso continuou com o Faith e agora com o The Craft of Pain. Ttrouxemos Violoncelo, Violão, um Theremin e percussões para este álbum, e piramos no resultado! Acho que continuaremos mudando, já trouxemos mais do Heavy Metal tradicional para este álbum, mas isso tudo não quer dizer que esperamos mudança radical. A essência Heavy Doom sempre estará lá, mas, sim, gostamos de olhar pra frente e nos desafiar e isso traz mudanças.
Em 2014, a proposta era homenagear bandas do “lado B” dos anos 70 e 80. O que ficou dessa fase no DNA do Pesta hoje?
Acho que o DNA continua o mesmo, esse DNA é importantíssimo para Pesta! Da mesma forma que olhamos pra frente e nos sentimos desafiados e sem medo de trazer outras referências como mencionei na resposta anterior, não queremos inventar a roda. Vou dar o exemplo do próprio Heavy Metal, que é um elemento que pra Pesta sempre existiu, mas no último álbum é mais forte. Se olharmos Witchfinder General, por exemplo, que é uma influência também pra nós, esse elemento já estava lá, assim como no Trouble, este Tradicional Doom já eram bandas de Heavy Metal! Então esse elemento é novo pra Pesta, mas já estava no DNA, faz sentido pra você? Queremos manter esses elementos, mas trazer eles para a Pesta com essa sonoridade um pouco mais forte de bandas atuais como Pallbearer, ou nem tão novas como Electric Wizard, que são todas influências pra gente. Então poderíamos dizer que o DNA está lá, intacto! (risos)
Em que momento vocês perceberam que tinham encontrado uma identidade própria dentro do doom/stoner, sem soar apenas como tributo às influências?
Quando a Pesta começou em 2014 e lançamos o primeiro EP em 2016, estávamos em um revival da cena Stoner Doom não só no Brasil como no mundo, mas logo de cara percebemos que a nossa música, nossas influências, vinham de um lugar um pouco mais denso e obscuro dessa cena, o que queremos dizer, é que nós sempre estivemos mais pro lado do Doom do que pro lado do Stoner… O que não impediu que crescessemos junto com essas bandas e que compartihassemos o mesmo palco, público… até hoje é assim, mas já no começo estava claro pra gente esse caminho diferente… Bom, dito isso, a Pesta foi moldada por características diversas, um vocalista com influências 100% setentistas, as Guitarras e Riffs tem muita influência dessa geração do Tradicional Doom que vai do Black Sabbath até o Pentagram, Trouble, Cathedral… mas que a composição acaba se moldando mais pra uma fase inicial do Paradise Lost de alguma forma… Então se a gente pudesse olhar de fora, da pra perceber que a Pesta é mais pesada que as bandas do Tradicional Doom e do Stoner Doom, mas ainda assim tem as mesmas características setentistas e sonoras que elas. Pra quem já viu a Pesta ao vivo sabe do que estamos falando, acho que isso trouxe a característica de quem a Pesta é hoje! Sabe que por um momento tinha gente que falava que achava que a Pesta tinha um vocal gutural, que combinaria mais com o som… Mas não, nosso vocal é clássico dentro desse peso e influências e é isso, não temos intenção de mudar, já imaginou se o Candlemass tivesse um vocal gutural? Poderia até ser legal, mas não seria mais o Candlemass! (risos).
O título sugere uma relação quase “artesanal” (The Craft) com a dor. Como esse conceito nasceu e como ele se manifesta nas músicas?
Esse conceito foi explorado pelo nosso baixista e letrista Anderson Vaca e foi um trabalho construído pela ideia de que a dor é uma prática aprendida e transmitida na sociedade para exercer poder, imputar uma forma de pensar… além de aprisionar e exercer controle. É uma outra forma de ver como a sociedade é construída e como ela utiliza destes meios para conseguir seus desejos… no caso, esses desejos podem estar relacionados aos desejos de apenas uma pessoa ou um pequeno grupo… Musicalmente sempre tentamos linkar o sentimento que aquela determinada letra nos trás. The Inquistor por exemplo é uma das mais pesadas e épicas do álbum, e deveria ser assim. Ela narra o poder que essa figura “Inquisitora”, que julga baseado em conceitos religiosos, conceitos estes que foram estendidos a toda a sociedade, independente de alguma crença pessoal diferente… Curiosamente dá pra fazer um paralelo direto com a sociedade atual e o que vivemos politicamente e no mundo… Parece que algumas coisas nunca mudam.

O disco aprofunda o clima denso e melancólico da banda. Vocês sentem que este é o trabalho mais pessoal de vocês até agora? Por quê?
Não conseguiríamos dizer se é o nosso trabalho mais pessoal… Acho que a abordagem dele não foi exatamente construída para essa “pessoalidade” sabe… Mas como um trabalho denso sim, cheio de climas e profundidades… Mas enxergá-lo como mais pessoal também não está errado, nesse álbum vimos alguns lados do Thiago Cruz como músico que não haviam aparecido em outros trabalhos. Um exemplo disso é as partes em violão do álbum, que são partes que ele construiu. Isso tem muito “dele” no álbum! E em aspectos gerais foi um álbum que na reta final principalmente, se tornou um álbum mais participativo, o nosso baterista Flávio Freitas foi fundamental para refinar essas músicas. Ele é um músico muito experiente, foi legal ver ele se envolver mais nas finalizações das músicas… Então ok, acho que de um certo prisma é um álbum mais pessoal, de outro ele é o mais denso mesmo!
A produção chama atenção pela riqueza de texturas e dinâmicas. O que mudou no processo de estúdio em relação aos álbuns anteriores?
Esse álbum levou um tempo para ser finalizado, não acho que foi isso que trouxe todas essas dinâmicas, mas o fato de termos feito uma pré-produção, conversar sobre as músicas e sobre coisas que queríamos no álbum fez muita diferença. Posso dizer que a nível de Guitarra foi o álbum que tive mais liberdade para trabalhar, e isso conduziu algumas das músicas, assim como o vocal do Thiago Cruz. As linhas foram trabalhadas e mudaram algumas vezes, e mesmo dentro do estúdio a gente buscou uma intensidade que honestamente foi diferente dos outros álbuns. Conseguimos ver um outro lado do Thiago nesse álbum, ele explorou a sua voz de uma maneira incrível e isso ajudou a construir todas essas camadas que o álbum tem. Músicas como Masters of the Craft of Pain, Canto XXI, The Inquistor, mostram lados bem diferentes que esse álbum explorou. Acho que outra coisa que mudou foi que tanto o Bring Out Your Dead quanto o Faith Bathed in Blood foram gravados ao vivo em estúdio. No The Craft of Pain gravamos em momentos distintos, a base está lá ao vivo, mas todo o resto foi construído em etapas e simplesmente tinha que ser assim. Tem muita coisa lá que não era possível executar ao vivo no estúdio, pois tinham mais de uma camada, por exemplo. Então isso exigiu mais cuidado da nossa parte. Tirou a gente da zona de conforto da forma que já tínhamos feito outras vezesve o resultado foi perceptível!
Como surgiu a participação do Scott “Wino” Weinrich (Saint Vitus / The Obsessed) em “Mirror Maze”? O que essa colaboração simboliza para vocês enquanto banda brasileira que dialoga com a cena mundial do doom?
Essa participação surgiu de um convite nosso feito depois dos shows que fizemos com o The Obsessed em São Paulo e Belo Horizonte. Já nos shows a gente teve uma conexão muito legal com todos do The Obsessed, Wino, Jason, Chris e Brian. No final do segundo show o Jason, que é o Guitarrista e o Wino, falou pra gente que a Pesta tinha sido a melhor banda de abertura de toda a tour e isso foi um choque pra gente! Isso valida muito o nosso trabalho e faz a gente acreditar que é possível dar um passo além! Então depois de alguns meses após o show, vimos o Chris Angleberg, que é o baixista do The Obsessed postando uma foto com a camisa da Pesta e logo em seguida comentando em nosso video ao vivo de Witches’ Sabbath e pensamos, “Bom, estes caras ainda lembram da gente”
Foi daí que veio a ideia de convidarmos o Wino e entramos em contato diretamente com ele. Mandamos algumas músicas e fizemos o convite, deixamos em aberto, caso ele topasse, que ele escolhesse a música, e foi assim, ele escolheu, marcou a data do estúdio e nos mandou essa colaboração incrível que ouvimos em Mirror Maze! E acho que isso tudo faz parte de uma construção que começamos de fato lá em 2016 com o Bring Out Your Dead, que foi um álbum que saiu em Vinyl na França pela Black Farm Records, e culminou com o The Craft of Pain, que saiu pelos norte americanos da Glory or Death Records. O que quero dizer é que o Wino, mais um lançamento na Europa, outro nos EUA, colocam a Pesta, mesmo que de forma pequena, em uma cena global e isso é incrível pra gente e pra nossa cena de Minas e do Brasil! Ah, e vale ressaltar que o Wino já gravou com Rob Halford, Geezer Butler e Bill Ward no Tributo ao Black Sabbath “Nativity in Black e com o Dave Grohl, Eric Wagner e Lemmy Kilmister no Probot, entre dezenas de outras parcerias. Mas com um artista latino americano, a Pesta foi a primeira parceria! Isso é absolutamente animal pra gente!
Como foi a troca criativa com Rodrigo Garcia em “Canto XXI”? O que ele trouxe de novo para a música?
Bom, podemos dizer de cara que a contribuição dele levou a música para outro nível! E é engraçado pensar que não tivemos nenhum encontro para trabalharmos isso juntos! O que aconteceu é que desde a composição de Canto XXI, já havia a ideia de chamar o Rodrigo Garcia, que é um amigo próximo e já até fez um show como segunda Guitarra da Pesta logo que o Daniel Rocha saiu da banda. Então o desejo já existia. Quando ele topou o convite, o que aconteceu foi um norte dado pelo Anderson Vaca pra ele e ele trouxe aquela linda orquestração para a música que adoramos! Nem teve uma segunda opção, foi certeiro!
O lançamento europeu por selos como Black Farm Records e no Brasil pela Death Time Records mudou a forma como vocês enxergam o alcance da banda?
Sim! Mas com o pé no chão! (risos). De fato termos tido lançamentos nos EUA e Europa é muito incrível. Nem todas as bandas conseguem alcançar estes lugares e a Pesta, de alguma forma, tem alcançado, mas quando mencionamos o “pé no chão”, é porquê temos a plena consciência, que isso não é algo que “caiu no nosso colo”. Isso foi o resultado de tudo que estamos trabalhando em álbuns, shows, identidade etc… Nós vemos muito “deslumbre” na cena, e isso às vezes atrapalha o crescimento de algumas bandas. Felizmente isso tem mudado. Vejo uma galera nova bem mais “pé no chão”... Talvez a rede social tenha levado as interações para um nível tão absurdo e fora da realidade que tenho visto bandas novas bem mais cientes desse trabalho do que pessoas da nossa geração, que ainda acreditam que é só fazer uma música legal que vai dar certo… Bom, voltando ao alcance da banda, acho que isso se torna mais uma validação do que alcance real sabe, abre portas! Mas alcance mesmo é outra ideia, não estou falando de alcance virtual, viralizante etc… O alcance real que me refiro, é de construir relações com quem você trabalha, com seu público, criar sua identidade… e isso tudo leva tempo. Hoje, o que podemos dizer é que a gente enxerga que de alguma forma estamos construindo isso, se vai levar a gente a um novo degrau? Isso já não dá pra saber (risos).
Como vocês enxergam hoje a cena metal de Minas Gerais? O que mudou desde o começo da banda? E ainda: Como é manter uma banda de metal pesado ativa no Brasil em termos de estrutura, público e oportunidades?
Não é fácil pra nós falarmos da cena mineira sem considerar um pouco de bairrismo, pois nós amamos a cena daqui e de fato achamos ela muito forte! Mas olhando com a visão de agora pro começo da Pesta, acho que a maior diferença é que naquela época havia um fomento de produções mais diversificada… Hoje em dia as produções estão cada vez mais concentradas em quem já construiu algo… de alguma forma faz parte, as pessoas se profissionalizam, ganham seu espaço… Mas isso também implica em algumas dificuldades como, se você está fora destes espaços e destes grupos, pode ter dificuldade em se inserir em uma cena sabe… E pensando como banda, dentro dessa visão de se manter, não há meias palavras, É EXTREMAMENTE DIFÍCIL! Se você só quiser fazer um som pra se divertir no fim de semana, tá tudo certo, qualquer coisa vai te atender… Mas se você quiser tentar se profissionalizar, ou mesmo ganhar um pouco mais de espaço na cena Metal, aqui em Minas ou praticamente em qualquer lugar do Brasil, vai se deparar com um cenário de muito trabalho e poucos ganhos. Talvez para uma pequena parcela que está na ponta seja diferente, mas estes não representam de fato a cena como um todo… Mas vamos lá, a estrutura está cada vez melhor, em geral passamos menos apertos hoje com som e estrutura do que a 10 anos atrás… As oportunidades se você não correr atrás dificilmente vai encontrar, pois tudo se conecta a uma comunidade sabe? As vezes você vai se encontrar em um certo meio, fazer contatos e vai conseguir algumas oportunidades ali, mas fora desse meio ou desse nicho, você meio que volta a estaca zero. E isso não é um problema só para a Pesta, com muita banda é assim e não tem receita de bolo sabe… Então é isso, ou você é duro na queda e não desiste, corre atrás ou vai sair desse meio rapidão, ou simplesmente se acomodar em algum lugar.
As apresentações do Pesta têm uma atmosfera quase catártica, meio ritualística, tanto pra quem toca quanto para quem assiste. Isso é algo que vocês constroem conscientemente no palco ou é um efeito colateral natural da música quando ela ganha corpo ao vivo?
Essa energia aí é a energia da Bruxa! (rs) Vocês sabem que a Pesta é uma Bruxa certo? Isso vem do nome da banda e a gente brinca que às vezes é a energia da Bruxa que está conduzindo! (risos). Mas a gente sente essa energia também no palco e vendo o público! E não dá pra dizer como isso é construído, pois não é algo pensado pra ser assim, mas acho que há alguns “mantras” que ajudam. Nós compartilhamos um filosofia que é, o que deve ser feito, tem que ser feito antes de subir no palco, não dá pra subir no palco na hora do show pra resolver algo, ou pra mudar algo… no momento do show o foco tem que ser único, fazer o que nós sabemos e nos preparamos pra fazer e confiar naquela equipe que está lá nos apoiando! E quando dizemos em confiar, tem que confiar mesmo no trabalho de quem está lá te dando suporte! Vai um adendo aqui: tem que chegar no show, trocar uma ideia com quem tá trabalhando. Tô falando da galera da Graxa mesmo! Equipe técnica! Tratar os caras bem é o mínimo, igual se trata todas as pessoas!! Se você chega lá, ouve os caras, fala com eles o que você gostaria, na real, os caras vão te ouvir e eles sabem o que fazer melhor que você! Bom, parece que esse adendo foi meio aleatório, não é? Mas não foi (risos). Isso tem tudo a ver com chegar no palco e se dedicar a aquele momento! Acho que isso ajuda a Pesta a entrar nesse clima quase hipnótico e ritualístico de cada show. Naquele momento ali é a hora de catarse mesmo, expulsar seus demônios (ou chamar eles (risos). Afinal, tem um momento mais importante para uma banda que não seja o show?
Com disco novo na praça quais são os planos futuros da banda?
O ano de 2026 é o ano de tocar o máximo que pudermos, casas de shows, palco grande ou pequeno, festivais, essa é a hora de promover o álbum e o plano é esse. Mas queremos também lançar dois vídeos e um mini doc que mostra um pouco do que foi a Pesta desde 2014 até agora. Todos estão em andamento e saem nos próximos meses aos poucos.
Acho que lá pelo segundo semestre vamos começar a conversar sobre os próximos passos. Não sabemos ainda, pode vir um EP com algumas versões ou começar a conversar sobre um álbum novo. Ainda tá cedo pra dizer, mas a certeza é que se você é produtor e quer levar essa Bruxa velha pra sua cidade, esse ano está propício a isso! (risos), Manda uma mensagem pra gente! No mais queremos agradecer a todos que tiraram um tempinho pra ler essa entrevista bem legal, e que nos acompanham. É um privilégio ter uma banda Underground, independente que consegue atingir alguns lugares que estamos atingindo. E isso só acontece porquê tem gente que gosta de verdade da Pesta! E agradecer você também Bruno Lisboa, que é um cara que faz um trabalho que movimenta a cena! Sem o trabalho da mídia jornalística, simplesmente não conseguiríamos chegar em lugar algum! Valeu Bruno Lisboa e equipe pelo espaço! E até o próximo show. Stay Doom!
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