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Revelação da cena indie de BH, ursamenor lança o seu primeiro EP

Fotos: Ana Negro
Fotos: Ana Negro

Em pouco mais de um ano de trajetória, a ursamenor já conseguiu construir algo que muitas bandas levam anos para alcançar: uma identidade sonora consistente, um primeiro EP lançado (intitulado Quero Ir Pra Casa) e espaço em uma das cenas independentes mais efervescentes do país. 


Formado por Mariana (voz, guitarra e composição), Camila (guitarra, voz e composição) e Iara (baixo), o trio mineiro transforma influências que passam pelo shoegaze, emo, punk, indie rock e dream pop em canções marcadas pela vulnerabilidade, pela intensidade e por um forte senso de coletividade. 


Nesta entrevista, a banda fala sobre o encontro que deu origem ao projeto, o processo de criação do EP, a construção de sua identidade artística, a cena de Belo Horizonte e os próximos passos de uma trajetória que começou há pouco tempo, mas já demonstra maturidade e personalidade.


A ursamenor existe há pouco mais de um ano, mas já chega com um EP nas ruas e uma identidade muito bem definida. Gostaria que vocês se apresentassem e dissessem como aconteceu o encontro entre vocês e em que momento perceberam que aquilo tinha potencial para se tornar uma banda?


Iara: Eu sou a Iara e sou a baixsta da banda. Comecei a tocar há cerca de três ou quatro anos. Entrei na banda por meio da Mariana, porque a gente já se conhecia há algum tempo, e ela me chamou quando o projeto ainda estava no começo.


Mariana: Eu sou a Mariana. Sou guitarrista e compositora da banda, junto com a Camila.


Toco desde os meus 11 anos. Sou de Ipatinga e me mudei para Belo Horizonte para fazer faculdade. Sou formada em Letras e também já trabalhei como professora.


Sempre gostei muito de música. Conheci a Iara ainda no Ensino Médio — ela também é de Ipatinga, então estudamos juntas. A Camila conheci em um evento. Na época, eu trabalhava com produção de eventos na Autêntica, e ela foi a um show que eu tinha produzido.


Ela também tinha vontade de desenvolver algo relacionado à música. Depois percebemos que aquilo que cada uma vinha fazendo separadamente tinha muitas semelhanças. Quando juntamos as ideias, parecia que já estávamos construindo algo em conjunto havia muito tempo. Foi desse encontro que começou a surgir a ursamenor.


Camila: Eu sou a Camila. Sou natural de Conselheiro Lafaiete, uma cidade que fica a cerca de uma hora de Belo Horizonte.


Toco desde a adolescência e já tive algumas bandas, principalmente projetos de cover, com apresentações em festivais e eventos no interior de Minas.


Em 2023 ou 2024, comecei a colocar minhas próprias músicas para fora. Passei a produzir com um amigo, o Guilherme Viveiros, e lançamos o projeto Espaço que Habita em Mim.


A partir de uma oportunidade da Chama Independente, que abriu espaço para a gente tocar na Casa Matriz, comecei a perceber melhor a existência de uma cena autoral em Belo Horizonte.


Como no interior essa movimentação é mais difícil, comecei a me organizar para ir até BH e conhecer outras pessoas. Foi nesse processo que conheci a Mariana e a Iara.


Mostrei minhas composições para elas e percebi que havia uma conexão muito forte. Quando ouvi as composições da Mariana, fiquei impressionada com a forma como aquilo dialogava com o que eu também estava criando. A conexão aconteceu de maneira muito natural.


Mariana: Depois que nos conhecemos e começamos a trocar referências, é interessante pensar nessa relação com os anos 1990 e 2000. Apesar de termos muitas coisas em comum, também existem muitas diferenças entre aquilo que cada uma gosta.


Acho que essa mistura é justamente o que dá identidade para a banda. As referências são marcantes, mas existe uma diferença no resultado final porque cada uma traz sua própria história e suas próprias influências.


No primeiro ensaio que fizemos juntas, parecia que já tocávamos havia muito tempo. Não parecia um primeiro encontro. A conexão foi muito imediata.


As músicas chegaram compostas, mas não chegaram prontas. Cada uma foi colocando sua identidade, seu olhar e sua contribuição. Surgiram mudanças de estrutura, ideias para refrões, pontes, arranjos e detalhes que fizeram as músicas crescerem. Esse processo coletivo foi fundamental para transformar aquelas ideias no EP que existe hoje.


As influências de vocês passeiam pelo shoegaze, emo, punk, indie rock e dream-pop. Como essas referências aparecem nas composições sem que a banda soe apenas como uma soma de influências? O que vocês sentem que é propriamente da banda?


Mariana: Essa é uma pergunta difícil. (risos) Costumo brincar que, na pós-modernidade, é muito difícil falar sobre criar algo completamente novo. Tudo o que tinha para ser dito ou feito, de alguma forma, já passou por alguém antes.


A gente sempre parte de algum lugar. Sempre existe uma referência. O que diferencia é a maneira como cada pessoa olha para essas referências e transforma aquilo em algo próprio. Apesar de termos influências muito marcadas, nunca tivemos a preocupação de fazer um som específico ou seguir uma fórmula. O mais importante sempre foi transmitir aquilo que estamos sentindo, vivendo e acreditando.


O resultado da banda aconteceu como consequência do encontro entre nós. Não foi algo planejado. Não sentamos para decidir que tipo de som queríamos fazer. Fomos experimentando e descobrindo juntas. Esse EP é especial porque, ao mesmo tempo em que é nosso primeiro trabalho e nossa apresentação para o público, também conta a história da nossa relação.


A gente construiu uma amizade e uma dinâmica de banda baseada em muita abertura e vulnerabilidade. Acho que isso aparece muito nas músicas. A ursamenor tem muito essa característica de não ter medo de mostrar fragilidades e sentimentos.


Camila: Para mim também. Acho que essa vulnerabilidade é uma parte muito forte da identidade da banda.


O EP quero ir pra casa é o primeiro registro da banda e carrega uma atmosfera bastante íntima. O que esse EP representa para vocês e como foi o processo de transformar ideias e sentimentos em um trabalho coeso?


Iara: Acho que existe uma sensação muito forte de vulnerabilidade, mas também de compartilhar algo que pode tocar outras pessoas. É um trabalho muito pessoal, mas que também é pensado para chegar ao outro. Existe esse desejo de mostrar quem somos e talvez fazer com que alguém se reconheça naquilo.


Camila: Antes de entrar na ursamenor, eu estava passando por um momento de recomeço em Belo Horizonte. Eu me sentia um pouco sozinha e deslocada. Quando encontrei a banda, comecei a compreender melhor essa ideia de coletivo. A gente fala muito sobre vulnerabilidade, mas também sobre perceber que aquilo que sentimos não é uma experiência isolada.


O título do EP desperta uma identificação quase imediata. O que significa "quero ir pra casa" para vocês? Existe uma narrativa que atravessa o disco ou cada música ocupa um lugar próprio dentro desse universo?


Mariana: Acho que existe também uma questão geracional. Nós três estamos em momentos próximos da vida e conversamos muito sobre essa sensação de estranhamento diante do mundo.


Existe um momento em que você percebe que o mundo já não é mais aquele que você conhecia. O título Quero Ir Pra Casa vem muito desse sentimento. É como se existisse uma vontade de retornar para um lugar conhecido, mas que talvez nem exista mais da mesma forma.


A ideia de casa acaba sendo muito simbólica, porque cada pessoa entende esse lugar de uma maneira diferente. As músicas falam muito do cotidiano, das relações, do amor, do tempo e desse processo de tentar entender onde estamos.


Percebemos que eram sentimentos individuais, mas, quando começamos a apresentar as músicas e conversar com as pessoas, entendemos que eram sentimentos compartilhados.

O Luiz comentou uma vez que a ursamenor era "uma coisa meio subconsciente e coletiva". Para mim, esse foi um dos melhores elogios que recebemos. Porque é isso: a gente acha que está sozinho, mas, na nossa solidão, também encontra companhia.


Foto: Ana Negro
Foto: Ana Negro

As músicas equilibram delicadeza, peso e diferentes vozes criativas. Como funciona o processo de composição entre vocês três? Existe uma dinâmica estabelecida ou cada faixa encontra seu próprio caminho?


Camila: Antes da gente se conhecer, cada uma já tinha algumas composições guardadas.


Meu processo começa muito pelo instrumental. Eu costumo criar a partir de uma sensação ou de algo que quero expressar musicalmente. Depois, vou adicionando letras que façam sentido para aquele momento. Quando nos encontramos, começamos a transformar isso em algo coletivo. Fomos trabalhando riffs, solos, estruturas e encontrando espaços para que cada uma pudesse contribuir.


Mariana: Meu processo é muito ligado à escrita. Tenho muita dificuldade com letras, mas, ao mesmo tempo, é a parte que mais me revela coisas sobre mim. Minha cabeça está sempre funcionando, então costumo anotar ideias em cadernos e blocos de notas. Às vezes acordo durante a noite e escrevo algo que veio à cabeça. Depois, quando surge uma melodia, volto para esses escritos e percebo que existe uma linha comum entre eles.


Existe um momento de intuição em que eu sinto que determinada ideia merece continuar. Não sei explicar exatamente de onde vem isso, mas sigo essa percepção. A diferença entre o EP e o que estamos fazendo agora é que antes cada uma chegou com músicas mais estruturadas. Hoje compartilhamos ideias ainda no começo, deixando espaço para que a outra pessoa entre e transforme aquilo.


Camila: Também tenho esse hábito de registrar ideias. Às vezes estou trabalhando e preciso parar para gravar uma melodia no celular. Mas também existe muito descarte. Muitas ideias não seguem adiante até chegar aquele momento em que você sente que encontrou algo que realmente representa o que está vivendo.


Iara: Meu processo é parecido com o da Mariana. Escrevo muitas coisas soltas, seja no bloco de notas do celular, no planner ou em um caderno. Às vezes escrevo apenas para colocar algo para fora, tirar um sentimento da cabeça ou registrar o que estou vivendo naquele momento. Depois, a gente junta essas ideias e vê como elas conseguem formar uma unidade dentro da banda.


Belo Horizonte vive um momento muito interessante para a música independente. Como vocês enxergam a cena da cidade hoje e de que forma ela contribuiu para o surgimento e amadurecimento da banda?


Camila: Enquanto você falava, lembrei de uma conversa que tivemos hoje de manhã. Pessoas que já estão em Belo Horizonte há muito tempo comentaram que nunca tinham visto a cena tão movimentada quanto agora.


A chegada de espaços como o Estúdio Central, que produz eventos voltados para artistas independentes, abriu muitas possibilidades. Eles abriram espaço para a gente também, e isso tem sido muito especial. Acho que isso traz esperança para a cena.


Mariana: Uma vez li uma entrevista com um crítico carioca, cujo nome não me lembro, que comentava que os mineiros têm uma característica muito forte de elaborar muito antes de lançar algo. Existe esse processo de amadurecimento, de observar, de pensar bastante antes de colocar uma obra no mundo.


Acho que a música mineira tem muito disso: um jeito mais silencioso de construir, mas essa característica também pode tornar o processo mais solitário. Por isso espaços como o Estúdio Central e a Chama Independente são tão importantes. Eles criam uma sensação de coletividade.


A gente percebe que existem outras bandas, outros artistas e pessoas vivendo processos parecidos. Isso fortalece a cena inteira. Esses encontros dão mais força, mais vontade de continuar fazendo e também ajudam a mostrar que existe muita coisa interessante sendo produzida aqui.


Iara: Acho que esses espaços fazem a gente se sentir menos solitário e mais acolhido dentro do próprio processo artístico. Eles mostram que aquilo que estamos fazendo tem valor e que existe uma comunidade acompanhando esse movimento.


Como o EP foi lançado recentemente, ainda é cedo para avaliar a recepção do público. Mas vocês já iniciaram a circulação de shows e a divulgação do trabalho. Mesmo nesse começo, já foi possível perceber algum retorno sobre o lançamento? Como tem sido esse primeiro contato com o público?


Camila: Ainda é muito cedo para falar especificamente sobre a recepção depois do lançamento, mas uma experiência muito interessante tem sido apresentar essas músicas ao vivo. Ao longo do último ano, tivemos a oportunidade de tocar o repertório do EP em alguns shows e conversar com muitas pessoas, tanto com quem já acompanhava a banda quanto com quem estava conhecendo nosso trabalho pela primeira vez, além de muita gente da própria cena independente.

É muito legal perceber esse retorno, ouvir as pessoas dizendo que gostaram das músicas ou que se identificaram com alguma letra ou algum sentimento. Acho que essa troca é uma das partes mais bonitas de todo o processo.


Mariana: Complementando o que a Camila falou, acho que os shows também transformam completamente a forma como a gente enxerga as próprias músicas. Depois de tanto ensaiar e conviver com elas, chega um momento em que a gente perde um pouco a capacidade de enxergar o que fez. É como se, depois que a música fica pronta, ela encerrasse um ciclo. Mas ela ganha uma nova vida quando entra em contato com as pessoas.


O mais interessante é ouvir como cada um interpreta aquelas letras. Muitas vezes, quando estamos escrevendo, nem sabemos exatamente tudo o que estamos dizendo. Existe um sentimento que motivou aquela composição, mas as pessoas encontram sentidos que nem nós mesmas havíamos percebido. Elas acabam revelando novas camadas para as músicas, e isso é muito bonito. Também existem reações inesperadas durante os shows.


Teve uma apresentação em que o público abriu uma roda e começou a fazer mosh justamente na música que, para mim, é a mais triste do EP. Ver aquela energia acontecendo diante de uma canção que eu enxergava de outra maneira foi uma experiência incrível.  Esses momentos fazem a gente redescobrir as músicas o tempo inteiro. Aquilo que parecia encerrado quando a composição ficou pronta, mas continua viva cada vez que alguém escuta, interpreta ou reage de uma forma diferente.

Para mim, essa é a parte mais bonita de fazer música: perceber que as canções deixam de ser apenas nossas e passam a construir novas histórias junto com quem as ouve.


Agora a banda começa a circular para além de Belo Horizonte, levando o trabalho para outras cidades. O que vocês acham que mudará quando vocês começam da cena onde nasceram? Quais vocês acreditam que serão os maiores prazeres e também os principais desafios dessa nova etapa na estrada?


Iara: Acho que a principal expectativa é sair do nosso ambiente conhecido. Nos shows em Belo Horizonte, normalmente encontramos amigos, familiares e pessoas que já acompanham a banda de perto. Agora vamos tocar para pessoas que nunca vimos, que talvez já tenham ouvido nossas músicas, mas com quem ainda não tivemos nenhum contato.


Isso desperta uma ansiedade muito boa. É muito especial saber que as músicas estão chegando a outros lugares e que existem pessoas interessadas em conhecer o nosso trabalho. Ao mesmo tempo, esse desconhecido traz um certo medo, mas é um medo positivo, que vem junto com a expectativa de viver algo novo.


Camila: Sempre via outras bandas saindo em turnê e imaginava como essa experiência deveria ser transformadora. Acho que viajar, conhecer outros lugares e outras pessoas também contribui muito para o nosso crescimento artístico. Vai ser uma oportunidade de trocar experiências, ampliar nossa visão sobre música e conhecer melhor as diferentes cenas que existem fora de Belo Horizonte.


Mariana: Também acredito que essa circulação vai ampliar os horizontes da ursamenor. Vamos dividir palco com bandas que ainda não conhecemos, entrar em contato com outras formas de fazer música e perceber diferenças culturais que existem entre os estados. Cada cena tem suas características, sua maneira de receber um show e suas próprias referências.


Acho muito interessante viver esse encontro. É curioso porque nosso EP se chama Quero Ir Pra Casa, mas, para voltar para casa, primeiro é preciso sair dela. E toda viagem acaba trazendo alguma bagagem de volta. É justamente isso que esperamos desses encontros: aprender com outras pessoas, conhecer novos contextos e permitir que essas experiências também façam parte da história da ursamenor.


Hoje existe uma pressão muito grande para que tudo aconteça rapidamente. Ao mesmo tempo, construir uma trajetória sólida exige tempo, maturação e paciência. Como vocês equilibram essa vontade de fazer as coisas acontecerem com a consciência de que uma carreira também precisa respeitar seu próprio ritmo?


Mariana: Nós três temos uma característica em comum: somos muito ansiosas e perfeccionistas. Apesar dessa ansiedade em relação aos próximos passos da banda — como lançar músicas, fazer turnês e alcançar novos públicos —, ela não interfere no nosso processo criativo. Quando falamos de composição, gravação e produção, respeitamos o tempo que cada música precisa.


Existe uma ansiedade natural para que as coisas aconteçam, mas também existe muito apoio entre nós. Sempre tem uma de nós que consegue olhar a situação com mais calma e lembrar que tudo tem seu tempo. Acabamos sustentando umas às outras nesses momentos.


Outra coisa importante é que muitas oportunidades têm surgido de forma muito orgânica. Várias coisas aconteceram sem que precisássemos correr atrás de maneira desesperada. Isso reforça a confiança de que estamos seguindo um caminho coerente.

Uma prioridade da banda é nunca fazer algo em que não acreditamos apenas para atender às exigências do mercado ou acompanhar um ritmo que não faz sentido para nós. Seguimos fazendo aquilo em que acreditamos, sendo honestas com nossos sentimentos e com a música que queremos criar. As oportunidades têm aparecido naturalmente, e isso fortalece ainda mais nossa confiança.


É claro que queremos levar a ursamenor para muitos outros lugares, mas essa ideia de solidez já faz parte da banda. Temos a sensação de que construímos uma base muito consistente, tanto musicalmente quanto na relação entre nós.


Iara: Embora a banda exista há cerca de dois anos, a sensação é de que caminhamos juntas há muito mais tempo. Nesse período, aconteceu muita coisa. Vivemos experiências muito intensas, enfrentamos dificuldades, passamos por encontros e desencontros e até tivemos nossos equipamentos roubados. Mas tudo isso acabou fortalecendo a banda.


O apoio que recebemos das pessoas durante a campanha para recuperar os equipamentos foi muito importante e mostrou que existe uma rede acompanhando o nosso trabalho. Quando olhamos para trás, percebemos que, em apenas dois anos, vivemos experiências que parecem pertencer a uma trajetória muito mais longa. Acho que isso também ajuda a explicar por que sentimos que a ursamenor já tem uma base tão sólida.


Para finalizar, o EP Quero Ir Pra Casa registra o primeiro capítulo da história da ursamenor. O que vocês imaginam para os próximos passos da banda? O que vem depois desse lançamento?


Camila: Acho que o principal é justamente o que comentamos no início da conversa. Quando nos conhecemos, cada uma já tinha composições em andamento. Agora, porém, estamos criando muito mais juntas, desde o começo. Percebo um amadurecimento muito grande na forma como a ursamenor faz música. Temos vontade de experimentar novas texturas, explorar outras possibilidades para as guitarras e encontrar novos caminhos de composição. Também estamos muito animadas para começar a pensar em um álbum e continuar criando.


Mariana: Complementando o que a Camila falou, muita coisa mudou nas nossas vidas desde aquelas primeiras composições. Hoje temos outras experiências, outras inquietações e um olhar diferente sobre o mundo, e isso inevitavelmente vai aparecer nas próximas músicas.

Já conseguimos perceber uma diferença no material que estamos produzindo. Tenho a impressão de que ele está mais introspectivo, embora ainda seja cedo para entender exatamente o que essas músicas estão dizendo.


Foi o que aconteceu com Quero Ir Pra Casa. Enquanto escrevíamos, percebíamos que existia algo em comum entre as canções, mas só entendemos essa narrativa quando o EP estava pronto e nos perguntamos o que aquele conjunto representava.


Acredito que a turnê, o lançamento do primeiro EP e tudo o que estamos vivendo agora também vão aparecer naturalmente nas próximas composições. Essas experiências certamente farão parte do próximo álbum.


Além do amadurecimento musical, acho que o disco também vai refletir o amadurecimento da nossa relação. Quando a banda começou, nossa conexão musical aconteceu muito rapidamente, mas a amizade foi sendo construída aos poucos. Hoje somos muito próximas, compartilhamos nossas vidas, nossas inseguranças e confiamos muito umas nas outras.


Acho que o próximo trabalho vai deixar essa relação ainda mais evidente. Ele deve mostrar não apenas uma banda mais madura, mas também uma amizade mais forte, a maneira como nos divertimos criando juntas, o quanto acreditamos umas nas outras e o carinho que temos pela ursamenor, independentemente de onde essa trajetória nos leve.



1 comentário


Aline Bastos
Aline Bastos
há 24 minutos

Muito massa a entrevista! As perguntas foram bem elaboradas, e as respostas também, cuidadosas e interessantes. Vai ser muito legal acompanhar esse primeiro EP e ver como a banda vai evoluir nos próximos trabalhos.

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