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Roger Deff lança novo clipe que dialoga com 50 anos do hip-hop


Foto: Flávio Charchar

O rapper Roger Deff está lançando o videoclipe da música “Um MC”, que está em seu mais recente disco, Para Romper Fronteiras.


Um dos mais atuantes da cena de Belo Horizonte, Roger Deff conversou com PHONO sobre o clipe, o disco, sua carreira e as comemorações dos 50 anos do hip-hop.


PHONO: Fale sobre o clipe “Um MC”. Como ele foi feito? Quem dirigiu, produziu? Roger Deff: O clipe foi dirigido por Marcelo Araújo e Marcos Cruz, da Sete e Meio Filmes, e já fizemos outros trabalhos juntos. As gravações se passam na casa onde cresci, no Jardim Alvorada e no Zona, espaço cultural localizado no baixo Centro de BH, fortalecendo essa ideia do trânsito entre o bairro e a região central, da periferia para o centro, e vice-versa, que é este lugar que o Hip Hop me proporcionou: de ampliar os horizontes, para além do meu bairro.


PHONO: Como é a conexão dele com a história do hip-hop e os 50 anos do gênero?

Roger Deff: O MC é um dos elementos desta cultura, que também conta com bboy/bgirl, graifiteiros e grafiteiras e DJs, sendo este último o elemento que deu origem a tudo. O MC é o cronista desta história, e através dessa função, contando a história de um ponto de vista pessoal, relato um pouco dessa construção de descoberta que essa cultura trouxe pra cada um que a vivencia. Já no audiovisual, no clipe propriamente dito, há imagens que remetem aos primeiros anos do Hip Hop em BH, com o União Rap Funk, primeira crew de break da cidade, além das participações de pessoas da primeira geração, como o rapper Mr Mad Jay 68, o b.boy Eduardo Sô e o DJ Roger Dee, além de pessoas de outras gerações como o Matéria Prima e a bgirl e grafiteira Bruna Pimenta.

PHONO: A música está em seu mais recente disco, Pra Romper Fronteiras. Como este disco se insere na sua carreira? Roger Deff: Pra Romper Fronteiras é o segundo da minha carreira “solo” e o quinto da minha carreira, contando com os do Julgamento, meu grupo de origem. Acho que é um dos discos mais hip hop que já fiz, ao lado do Boa Noite (2018), do Julgamento. Neste disco eu quis trazer a sonoridade clássica do Boombap, mas num contexto contemporâneo, dialogando com o Jazz também. Mas, tentando resumir, é o disco em que explicito completamente a conexão com o Hip Hop, na estética sonora e na arte gráfica, assinada pelo amigo Binho Barreto, grande grafiteiro da cidade.

PHONO: Como você vê a cena hip-hop de BH hoje em comparação com quando você começou?

Roger Deff: É uma cena diferente, porque é uma nova geração, então é normal que seja assim, o espirito do Hip Hop permanece o mesmo, mas claro, muda a forma como as pessoas o vivenciam. Há uma cena impressionante de dançarinos e dançarinas, além do graffiti.

Do ponto de vista de visibilidade para a música é uma cena que reverbera país afora como nunca aconteceu antes, com nomes como o Djonga, FBC e Clara Lima, entre outros. Quando comecei na música não havia essa perspectiva de alcançar os espaços que alcançam hoje e a simples ideia de gravar um disco já era algo muito grandioso pra gente, então acho que esse aspecto da visibilidade e da possibilidade de produção e proação é onde vejo mais mudanças.


PHONO: E como você avalia a importância do hip-hop na valorização das periferias e da cultura que vem de lá?

Roger Deff: Costumo dizer que o rap é uma das principais narrativas sobre a periferia, e se faltam livros sobre a população negra, escritos por pessoas negras, temos discos, que pra mim cumpriram a função de livros também. O rap contribuiu para que a periferia fosse vista como espaço de potência, de criação, não apenas como espaço de negação de direitos, deu visibilidade e nome, transformando a margem em território de fato.


ASSISTA AO CLIPE "UM MC":




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