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Seun Kuti e a herança do Afrobeat com Iconili e Augusta Barna

Fela Kuti foi um dos músicos mais representativos da black music de todos os tempos. Seu trabalho junto a sua banda de apoio, a Egypt 80, tornou-se referência para o afrobeat, gênero musical que promove o encontro entre o jazz, rock, funk e soul.


Sua influência pode ser vista para além da própria música em si, já que também está diretamente relacionada a pautas político-sociais. Como ativista, Kuti defendeu pautas contra o colonialismo, a desigualdade e a corrupção do governo nigeriano, seu país natal.


Fela Kuti - Foto: Bernard Matussire

Após a sua morte, em 1997, uma dúvida pairou no ar quanto a quem seria ou a quem caberia a responsabilidade de dar seguimento ao legado construído por Fela. A missão ficou a cargo de seu filhos, (Femi, Seun, Yeni, Kunle, Sola, Montunrayo e Shalewa) que, desde então tem feito um bom trabalho ao manter vivo o trabalho para novas gerações.


Mas quem ganhou maior atenção midiática foi Seun Kuti. O músico acompanhou os trabalhos do pai desde os 11 anoa de idade, mas eis que, em 2008, ele assumiu a liderança da Egypt 80 e gravou o disco Many Things no mesmo ano. De lá pra cá, Seun lançou uma série de discos junto a banda e tem excursionado de maneira regular mundialmente. Atualmente, dos músicos que acompanharam Fela em vida, cinco deles ainda estão em atividade. Mas apenas o baixista Kunle Justice está acompanhando Seun em sua turnê pelo Brasil.


Fotos: Alexandre Biciati

A abertura da noite ficou a cargo de duas atrações locais (a big band Iconili e cantora Augusta Barna) que somaram forças. Ambas tem como elemento comum influências diretas do afrobeat.


O evento fez parte da programação da Semana da Consciência Negra e contou com a produção em parceria entre a Autêntica e a Chacoalha.



Quem Viver Verá


Fundado em 2007, a Iconili é um dos melhores expoentes da música produzida das Minas Gerais. Unindo rock, jazz e batidas afro-brasileiras, o grupo, desde a sua gênese, tem conquistado elogios de público e crítica, tornando-se, assim, uma referência da cena brasileira. Discos como Piacó (2016) e Tupi Novo Mundo (2013) são boas amostras das potencialidades do grupo.



Para a apresentação, a banda contou com a participação de Augusta Barna, cantora que tem conquistado, de forma gradual, os palcos mineiros, promovendo apresentações marcantes em que esbanja carisma e primor técnico.


De forma simbiótica, a junção entre ambos os artistas funcionou de forma harmônica em sua plenitude, relevando que a parceria entre ambos pode / deve render mais frutos.




Love and Revolution


Acompanhado por um octeto, Seun retornou a Belo Horizonte, pela segunda vez, como parte da turnê Love & Revolution. Para a apresentação, realizada na Autêntica, o setlist dessa nova leva de shows prima reúne canções de diversas fases do músico, como também presta justas homenagens ao seu finado pai.


Alternando entre os vocais, o teclado e o saxofone, Kuti tem completo domínio do palco e entrega uma performance enérgica e pulsante. Tal característica é refletida no público que se entregou de corpo e alma a apresentação.



A Egypt 80, por sua vez, realiza um espetáculo a parte e igualmente impressionante. Demonstrando domínio técnico invejável, a banda ao vivo se permite flutuar entre os arranjos originais das canções do set. Isso fez com que as canções ganhassem nova roupagem, tornando-as ainda mais potentes. Características estas que, aliás, são inerentes a sonoridade afrobeat.


O set composto por 10 faixas foi iniciado com duas covers de Fela Kuti: "Dog Eat Dog", presente no disco No Agreement (1972) e o single "Coffin for Head of State". Do seu repertório vieram faixas como "Black Times" (presente no álbum de mesmo nome) e os singles "Love and Revolution", "Emi Aluta" e "T.O.P (Things Over People)".



Na reta final do show Seun buscou se comunicar com o público através um poderoso discurso sobre anticolonialismo e da defesa por uma Palestina livre, em total oposição ao regime opressor imposto pelo governo israelense na faixa de Gaza.


Após grande ovação, Kuti e banda retornaram ao palco para tocar uma das faixas mais icônicas do repertório de seu pai, "Zombie", e o fizeram numa longa jam session, que encerrou a noite de forma memorável.




Conclusão


O trabalho de Seun Kuti junto a Egypt 80 promove não só justa homenagem ao legado de Fela Kuti, mas também consegue mostrar vitalidade e frescor ao afrobeat, gênero musical que hoje é basilar para a música produzida hoje. Por sua vez, o trabalho da Iconili e de Augusta Barna são bons exemplos de como a música negra segue muito bem representada nas Minas Gerais.




Avaliação Final


Apesar da chuva torrencial que caiu horas antes da apresentação a Autêntica recebeu um bom público para uma noite de quinta feira. Os pequenos atrasos, nos horários das apresentações, não foram um problema para os presentes que aproveitaram a noite que ainda contou com discotecagem da DJ Black Josie.





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