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Vício Inerente é o retorno ousado e pop de Marina Sena

Compreender fenômenos pop não é exercício dos mais fáceis. Por mais que puristas tendam a criticar artistas desta natureza como artificiais e fabricados, por vezes, é preciso um olhar mais próximo para perceber que a máxima, nem sempre, é verdadeira. Afinal por trás de todo verniz comercial pode haver ali ares de autenticidade que se traduzem na produção de grandes canções, capazes de mobilizar e conquistar milhares de pessoas. E é das Minas Gerais um dos maiores fenômenos contemporâneos: Marina Sena.


Foto: Fernando Tomaz

A cantautora é natural de Taiobeiras, cidade localizada no interior de Minas Gerais, começou sua carreira aos 15 anos e, a partir daí, iniciou sua escala para o sucesso. De início, Marina fez parte da banda A Outra Banda da Lua, projeto musical iniciado em 2015, o qual atuou como vocalista durante 5 anos. Já em 2019 integrou outro grupo, o Rosa Neon, juntamente a Marcelo Tofani, Mariana Cavanellas, Luiz Gabriel Lopes e Baka. O grupo fez barulho no cenário nacional graças ao elogiado disco autointitulado, lançado no mesmo ano, e sucesso de faixas como "Pirraça" e "Ombrim". O coletivo se dissolveu no ano seguinte e partir daí Sena tem se dedicado a carreira solo.


Com o lançamento de seu primeiro trabalho solo, o premiado De Primeira (2021), Marina conquistou público e crítica, num disco eclético musicalmente e que gerou hits estelares como "Por Supuesto" e "Pelejei", que tiveram alta execução em plataformas digitais e nas rádios. A partir daí expectativas foram geradas sobre qual seria o seu próximo passo.


Nesse ínterim, enquanto o novo álbum não chegava ao mercado, Sena seguiu atenta a oportunidades e lançou singles juntos a Gal Costa, em uma das últimas de suas gravações, na cover "Para Lennon e McCartney" (Milton Nascimento), regravou "Natasha", com o Capital Inicial, e gravou junto aos também mineiros do Lagum a faixa "Veja Baby".

Agora em 2023 eis que a cantora lança seu segundo álbum Vício Inerente. Buscando e ampliando seu leque de sonoridades, Marina dialoga com a música eletrônica, em suas mais variadas vertentes, indo do trip hop ao funk. E o resultado dessa guinada mostra que Sena buscou se aproximar, ainda mais, com as produções musicais contemporâneas e conseguiu.

Produzido por Iuri Rio Branco, o disco é composto por 12 faixas nas quais Marina deixa sua marcante voz flutuar em novos ares. Num primeiro momento, o novo disco pode causar estranheza aos ouvintes já habituados a sua sonoridade orgânica de outrora, mas, aos poucos, o novo repertório conquista ao ouvinte mais atento.

Suas letras seguem explorando a sua sensualidade latente, tão presente em suas performances ao vivo, como em "Dano Sarrada". Há espaço para letras que abordam importância de se auto afirmar / valorizar como em "Meu Paraíso Sou Eu". Outras faixas que se destacam são "Tudo Seu" e "Partiu Capoeira", que esbanjam latinidade, a belíssima "Mande um Sinal", a ode a dança promovida em "Que Tal" (parceria com Fleezus) e a etérea "Pra Ficar Comigo" que fecha o disco.


De forma geral Vício Inerente mostra que Sena é uma artista atenta ao seu tempo e sabe transformar essa leitura em seu fazer artístico, resultando num registro ousado e pop por excelência.



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